Brioche à brasileira

Brioche à brasileira

postado em 08/06/2014 00:00


Nos últimos 12 anos, a condução da política macroeconômica do presidente Lula para o país foi orientada tomando como base, num primeiro momento, as orientações gerais formuladas pelo Plano Real, com pequenos remendos aqui e acolá. A partir da identificação ou ;achado; do Programa Bolsa Família, como capital para as políticas populistas de cooptação eleitoral de imenso contingente de populações carentes, a orientação mudou drasticamente de rumo. Como uma mina de ouro ou um poço de petróleo, os programas tipo bolsa, largamente propagandeados, passaram a se constituir em carro-chefe das ações do governo. Naquela ocasião, ajudados pelos bons ventos da economia mundial, o Brasil decolava rumo às alturas, como bem retratou a revista The Economist, ao mostrar o Cristo Redentor arrancando como um foguete rumo ao céu. Hipnotizado pela bonança passageira e pelos altos índices de popularidade, as coordenadas do foguete Brasil passaram a ser feitas com base na intuição ou no feeling do ;nosso guia;. Incensado pela propaganda e de olho num assento no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil se abriu para os países alinhados com o pensamento ideológico do governo. Era a fase bolivarianista e do ;nunca antes na história deste país;. Ao ;espetáculo do crescimento;, segue-se o voo cego, com o foguete redentor rumando contra o chão. O Brasil estragou tudo? Perguntava depois a mesma revista. Como num bar em que a conta vem de acordo com o consumo, a conta Brasil veio alta. Com a economia baseada, sobretudo, no consumo e no crédito fácil, o país foi apanhado nadando nu quando a maré baixou. O pequeno crescimento e a alta da inflação foram sendo suavizados pela maquiagem nas contas públicas e, enquanto a artimanha deu certo, tudo seguiu relativamente bem, dando, inclusive, para eleger o sucessor. Mas, como o mundo insiste em seguir girando, e com ele a roda da fortuna, o país parece seguir, mais uma vez, rumo aos tempos que antecederam ao real. De volta ao passado da inflação, os juros decretados pelo Banco Central companheiro logo se posicionaram entre os maiores do mundo. Impossibilitado de escapar da crise, devido ao peso paquiderme da máquina do Estado e do custo Brasil recheado de impostos e ineficiências administrativas, o país, agora transformado num barco à deriva, ruma perigosamente de encontro às rochas. Receosa de afundar com o grande timoneiro tupiniquim, a base política, aliada sempre por conveniências imediatistas, começa a abandonar a nau dos insensatos. É o salve-se quem puder. Para piorar a situação, no mar revolto dos tempos que se anunciam, vieram a se somar manifestações populares por todo o país. Como num rastilho de pólvora, a inquietação das ruas se espalhou, contaminando todos os setores indiscriminadamente, atingindo, inclusive, a Copa do Mundo, outrora festejada por todos. Contrariando o que havia prometido, os gastos com a realização dos jogos mundiais foram financiados com grandes somas de recursos públicos, o que alimentou, ainda mais, o descontentamento da população. Aproveitando-se da grande visibilidade mundial e da fragilidade de um governo que parece ter perdido a direção, as greves e paralisações às vésperas da Copa vão eclodindo por todo lado, ameaçando a realização do evento. Assustado com o crescimento da agitação geral, o governo ora acena com reformas antidemocráticas, tipo Decreto n; 8.243, ora simplesmente coloca as Forças Armadas de prontidão e manda o Exército para perigosa missão nas ruas. Tudo feito, ;vai ter Copa;, diz o governo. Mas vamos mostrar nossa indignação, dizem as ruas. Bem mais transparentes do que qualquer índice apresentado pelo governo são os números que revelam o grau de pessimismo dos brasileiros. Colhidos pela Pew Research Center, um dos mais respeitados think tank do mundo, a pesquisa mostra que 85% dos brasileiros estão preocupados com a escalada dos preços e da inflação. A situação do país, como um todo, também afeta 72% da população. A criminalidade crescente e a saúde preocupam 83% do país. A corrupção política é sentida por 78%. A falta de oportunidade de emprego preocupa 72% da sociedade. Para a analista da pesquisa Juliana Horowitz, ;o nível atual de frustração que os brasileiros expressam com a direção do país, sua economia e seus líderes não tem par em anos recentes;. Para tentar frear um pouco os ânimos pessimistas vindos das ruas, o governo vai concedendo aumentos pontuais a algumas categorias do serviço público, mas a medida reacende as reivindicações daquelas parcelas de trabalhadores que não foram contempladas com igual tratamento, e a inquietação segue num crescendo. Em vez de propor medidas capazes de estancar a sangria do Estado, o governo, refém da ideologia do partido, segue na direção contrária. Assim a presidente Dilma prega a regulação econômica da mídia, o endurecimento com as manifestações, quando, na verdade, deveria acenar com o enxugamento da máquina pública, com a redução dos gastos públicos, com a diminuição dos encargos tributários, com a punição exemplar aos corruptos. Mal assessorada e distante da realidade do país, a presidente insiste em promover reuniões de campanhas em pleno Palácio da Alvorada, alheia a um mundo que vai ruindo à sua volta.

História de Brasília

Temos acompanhado muitas etapas de sua vida e, com prazer, acompanharemos mais esta, tão humana, tão sublime, tão ideal. Bom dia, vovô. (Publicado em 20/7/1961)

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