Novo presidente pede paz e unidade

Novo presidente pede paz e unidade

Petro Poroshenko é empossado e faz apelo para que separatistas baixem as armas. Rebeldes pró-Moscou, contudo, afirmam que conflito deve continuar

» LUCAS FADUL
postado em 08/06/2014 00:00
 (foto: Anastasiya Sirotkyna/AFP)
(foto: Anastasiya Sirotkyna/AFP)

O novo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, tomou posse ontem com a promessa de manter a integridade territorial do país, ameaçada pela agitação separatista na região leste. Dono de uma fábrica de chocolates, o milionário empresário pediu aos manifestantes que larguem as armas. Durante discurso no parlamento, o mandatário se dirigiu diretamente à população que vive nos redutos pró-Moscou e, falando em russo, garantiu mais autonomia às zonas hoje dominadas pelos rebeldes. Apesar do conflito entre as forças do governo e os rebeldes, Poroshenko disse não desejar uma guerra. ;Eu não quero vingança, apesar do enorme sacrifício do povo ucraniano;, declarou.


Entretanto, em Donetsk, onde os habitantes já se pronunciaram em referendo pelo desligamento do governo central de Kiev, um porta-voz dos ativistas rechaçou o pedido de cessar-fogo e assegurou que os conflitos continuarão. ;O que eles realmente querem é o desarmamento de apenas um lado e que nos rendamos. Isso nunca vai acontecer;, afirmou Fyodor Berezin, importante referência entre os insurgentes da região. ;Enquanto tropas ucranianas continuarem no nosso solo, para mim, tudo o que Poroshenko quer é subjugação;, concluiu. Ontem, um conselheiro separatista morreu baleado.


Mikhail Zubarov, embaixador da Rússia em Kiev, de volta à capital ucraniana pela primeira vez desde fevereiro, endossou o diálogo proposto por Poroshenko e revelou que os primeiros contatos, que trazem esperança à nação, devem ocorrer nos próximos dias. ;Para nós, é indispensável deter a operação militar;, disse Zurabov, citado pela agência Interfax Ucrânia. Apesar de considerar as eleições na ex-república soviética ilegítimas, Moscou classificou o presidente ; eleito com 54,7% dos votos ; de ;sócio sério;.
Para desgosto da Rússia, o ucraniano aposta que um tratado de livre comércio com a União Europeia (UE) deva ser firmado ;no mais tardar no dia 27 de junho;. Por sua vez, a Casa Branca anunciou uma ajuda de US$ 48 milhões a Kiev, no intuito de consolidar a união nacional e aplicar as reformas financeiras. Para o secretário norte-americano de Estado, John Kerry, a crise na Ucrânia deve arrefecer em breve, e novas sanções econômicas contra Moscou não serão necessárias.

Crimeia perdida

Durante seu discurso no parlamento, Poroshenko asseverou que a Crimeia continua sendo ucraniana, apesar de a península ter sido anexada por Moscou em março. ;Disse isso claramente ao líder russo;, afirmou, referindo-se a um encontro com Vladimir Putin ocorrido na véspera. Nessa hora, foi ovacionado pelo público presente à cerimônia. Para Heni Ozi Cuckier, professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a afirmação do presidente da Ucrânia se trata, apenas, de retórica. ;A Crimeia já não pertence mais a Kiev nem nunca mais pertencerá;, observou. ;Eu penso que Putin e Poroshenko poderão brigar entre si, mas não por causa da península.;

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