Os mistérios do Flat 1706

Os mistérios do Flat 1706

Atores do grupo de teatro G7 gravam curta-metragem, ambientado num apartamento de Águas Claras

Lucas Lavoyer Especial para o Correio
postado em 08/06/2014 00:00



Há um mês, os humoristas da Cia. de Comédia G7 desempenharam rotinas incomuns. Trocaram improvisações, esquetes e textos encenados sobre tablados por sets de filmagens e pelas lentes do diretor Johil Carvalho. Durante uma semana, a trupe perambulou entre prédios e avenidas de Águas Claras, para dar vida ao curta-metragem Flat 1706. A intenção da trupe é inscrevê-lo no 47; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, marcado para a semana de 16 a 23 de setembro.

A trama construída por Frederico Braga ; integrante do G7, também formado por Benetti Mendes, Rodolfo Cordón e Felipe Gracindo ; acompanha o cotidiano de Rodrigo Lacerda, natural de Goiânia e que desembarca em Brasília para exercer uma função na Câmara Legislativa. Nisso, o jovem, interpretado por Cordón, passa a residir o endereço que dá nome à produção.

No Flat 1706, o protagonista passa por mistérios que alicerçam a veia cômica do filme. ;É um típico apartamento de Águas Claras. Nele, nosso amigo goiano encontra situações inesperadas que só acontecem enquanto ele está fora. Coisas como objetos que se movem o deixam maluco. É uma espécie de thriller;, comentou Benetti Mendes.

Quanto à transposição dos teatros à gravação de um curta-metragem, os atores conduziram sem sustos. ;O cinema é a arte da espera. O ator precisa ter paciência, não pode deixar o tempo estressar. Quando o diretor chama, tem que estar pronto. É mais difícil do que o teatro no aspecto emocional;, revelou Cordón. Além dos membros do G7, Adriana Nunes, integrante da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, também participou da produção.



Confusão
Apesar de receber o rótulo de comédia, o curta construído por Frederico Braga também tem suas doses de drama. A solidão do protagonista, que abandona a mãe (Adriana Nunes) na capital goiana para alcançar o sonho do funcionalismo público, exige uma faceta pouco explorada nas esquetes de humor do G7. ;Tive umas duas cenas mais difíceis. Já eram quase 23h e estava cansado. Mas, na hora que precisa, vem a força. Ser ator de cinema é difícil;, avaliou Rodolfo Cordón.

Trechos de Flat 1706, financiado por recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), fazem piada com peculiaridades de Brasília, principalmente relacionadas a localizações e endereços do Plano Piloto. ;Meu personagem vem de Goiânia e precisa entender o que é tesourinha, Quadra 710, número par, número ímpar, Buraco do Tatu, Zebrinha. Fica boiando! Quem mora em Brasília se identificará muito, mas quem não mora também vai gostar;, pontuou Cordón.

Outro ponto relevante da película é um mistério inserido propositalmente na trama. Diante da solidão e dos acontecimentos que mexem com a cabeça do protagonista Rodrigo Lacerda, o G7 dá espaço a um personagem incomum, interpretado por Felipe Gracindo. ;Tem um cara que mora no armário, mas não vamos dizer se ele é real, ou se é um alterego do Rodrigo. Fazemos uma espécie de suspense psicológico;, levantou Cordón.

O curta-metragem está em processo de edição. Os atores ainda não assistiram ao primeiro corte, mas esperam inscrevê-lo em diversos festivais de cinema pelo país, incluindo eventos locais. Enquanto não há previsão, a trupe mantém o espetáculo Como passar em concurso público 2.


Como passar em concurso público 2
Teatro Marista, 615 Sul. Todos os sábados, às 19h e às 21h30, e domingos, às 20h30, até 21 de junho. Informações: 8129-4709. Os ingressos custam R$ 20 (mais taxas) na internet e R$ 25 (meia ou um quilo de alimento) na bilheteria do teatro


R$ 120 mil
Valor da produção do filme


12 anos
Tempo de carreira do G7

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