Parte do plano divino

Parte do plano divino

postado em 08/06/2014 00:00
 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Mariel Silva, 24 anos, estudante, e Luan Batista, 26, servidor público, acreditam terem sido feitos um para o outro. A história é rara: um mês após se conhecerem, começaram a namorar sem nunca terem se beijado, após um pedido formal feito à mãe dela. Namoraram por três meses, ficaram noivos por três anos e três meses e, enfim, se casaram. Hoje, são pais de Miguel, de 1 ano e 3 meses.

O encontro dos dois se deu na capela da faculdade onde estudavam. Ela estava matriculada no turno da noite e considerava passar para o período da manhã. O percurso que percorria todos os dias para estudar seria mais seguro, mas teria de abdicar do grupo noturno de orações. Decidiu que passaria a frequentar as aulas matutinas e criaria ela mesma um grupo semelhante nesse turno. O que ela não imaginava é que Luan, que estudava de manhã, já estava engajado em fazer o mesmo.

Ela sempre carregou a certeza que só se uniria a alguém que compartilhasse seus valores e a vontade de formar uma grande família. Até então, só tinha tido relacionamentos que, embora longos, não foram sérios. E já estava cansada disso. ;Eu achava que Deus já tinha desistido de mim. Eu queria uma família;, lamenta. É aí que entra Luan, cujas características se encaixavam exatamente num sonho premonitório tido pela tia de Mariel.

A religião, sem dúvida, os aproximou. Mas havia outros pontos de afinidade. Ambos são filhos únicos de mães solteiras e valorizam muito a família e a presença paterna. Assim, pretendem ter uma família grande, com, pelo menos, três filhos. Já estão planejando um irmão para Miguel, mas Mariel tem dificuldade. ;Até o Miguel foi um milagre em nossa vida. A médica admitiu que não acredita em Deus, mas que devia dar o braço a torcer nessa;, conta a estudante.

Mesmo com tantas coisas em comum, eles gostam do que têm de diferente e acham isso importante. ;Se tudo o que eu quiser fazer, ele concordar, fica chato, mas não chega a ter conflito;, explica Mariel. O importante para Luan, nesses momentos, é querer fazer o outro feliz, sem egoísmo. Esse é o segredo, garantem.


Cada panela com sua tampa

Quando se conheceram, ambos estavam em uma situação delicada. Marina Pinheiro, 21 anos, estudante, havia acabado de chegar de Arraial D;Ajuda, na Bahia, para começar a faculdade em Brasília. Deixou um ex para trás. Enquanto isso, Luiz Gustavo Ferreira estava com uma pessoa que havia conhecido há pouco tempo, mas o relacionamento já apresentava desgaste.

Marina queria fazer amizades e conhecer a cidade. Em uma balada, esbarrou em Luiz Gustavo e o interesse foi mútuo, mas não flertaram. Por coincidência, o grupo de amigos com o qual ela estava se juntou ao dele, facilitando a aproximação. Ainda demorou até oficializarem o namoro, que já dura mais de três anos.

;Nós somos parecidos até na data de aniversário;, brinca Luiz Gustavo. Ela é de 2 de dezembro e ele, do dia 1;. Ambos até acham que opostos se atraem, mas é uma atração que não dura. ;Tudo o que é diferente acaba chamando a atenção;, constata a namorada. Para Luiz Gustavo, isso é verdadeiro, principalmente na juventude, fase em que ;o diferente é desafiador;.

O terapeuta de casal Vitor Molina confirma esse entendimento, pois as pessoas tendem a se tornar mais intolerantes com o tempo. ;O indivíduo constrói o próprio caráter aos poucos. Quando é muito novo, ainda não conhece o que lhe incomoda em outra pessoa;, explica.

Marina e Luiz Gustavo se encontraram ao acaso, mas o sucesso da relação nada tem de fortuito. ;Nós somos emotivos, sensíveis e até chorões;, brinca Marina. Além disso, compartilham o amor por viagens. E o fato de Marina ser de outro estado fez de passeios simples, como uma ida a Pirenópolis, aventuras inesquecíveis.

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