Tapas e beijos

Tapas e beijos

postado em 08/06/2014 00:00
 (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)
(foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)
Mark McGonigle, terapeuta de casais americano e idealizador do aplicativo Fix a Fight (;conserte uma briga;, em tradução livre do inglês), conta que criou a ferramenta para unir realidade e tecnologia na resolução de problemas. O aplicativo é baseado em sua experiência profissional e em pesquisas realizadas pelo Gottman Institute. ;A pesquisa é um método testado e comprovado para ajudar casais a trabalhar o conflito, preservando a intimidade e a proximidade;, resume.

De acordo com McGonigle, o aplicativo ;guia os casais através de um processo de comunicação para reparar o relacionamento depois de uma interação infeliz;. A ideia é encorajar os dois a ;dividir e ouvir o outro em um nível mais profundo.; Ele também se propõe a medir o ;sucesso; e arquivar o trabalho já feito, para revisão posterior. A ferramenta, contudo, não serve como substituto para uma consulta de verdade. Segundo o terapeuta, o objetivo é que os casais percebam se precisam ou não de ajuda profissional. ;Geralmente, os casais deixam seus problemas se arrastarem por muito tempo antes de obter ajuda, e isso contribui para elevados níveis de insucesso nos relacionamentos;, justifica.

Kézia Galdino, psicóloga clínica e terapeuta de casais, explica que usar aplicativos para resolver problemas ou para interagir com o parceiro tem um lado bom e um lado ruim. No caso dos que criam uma rede social só do casal, ela acredita que a restrição ao acesso às informações pode ajudar com parceiros ciumentos. ;Mas, de alguma forma, isso também pode ser ruim, porque é no conflito que a pessoa se mostra;, frisa. Um mundo virtual só para dois também poderia impedir que o casal de conversar sobre os problemas, perdendo a oportunidade de amadurecer a relação e se conhecer melhor.

Resolver conflitos por meio de aplicativos também tem vantagens e desvantagens. Para quem acha mais fácil escrever do que verbalizar o que sente, por exemplo, a ferramenta pode ser útil. ;Acredito que, na hora do conflito, tudo pode ajudar;, defende Kézia Galdino. Uma palavra motivacional, segundo a especialista, pode ser a salvação na hora que o sangue ferve. ;Claro que tudo depende de como a pessoa absorve isso. Mas acho que, desde o início da relação, seria interessante uma ajuda psicológica.;

O problema é aprender a respeitar o espaço do outro e se lembrar de que uma relação tem que ser vivida, também, ao vivo. ;É comum casais brigarem por causa de internet;, completa. ;A rede gera ciúmes e desconfiança, mas acredito que as pessoas têm que ter redes sociais, se relacionar, ter amizades.; Resgatar a confiança na relação e no parceiro também é imprescindível para manter o namoro saudável.

O casal de bombeiros Amanda Arielle Pereira, 26 anos, e Alessandro Ricardo Barbosa, 27 anos, nunca havia testado nenhum aplicativo voltado para casais. À pedido da Revista, eles usaram dois que criam redes sociais alternativas, o Avocato e o Couple. Para eles, contudo, as ferramentas não foram de muita utilidade. ;Achei tudo muito lento. As mensagens demoram para atualizar, não há sons de notificação quando uma mensagem chega;, reclama a namorada. A opção de fazer listas conjuntas, contudo, agradou. ;Temos muitas ideias juntos, de viagens, então, achamos bacana a ideia de criar uma lista juntos;, reforça Alessandro.

As vantagens, porém, param por aí, segundo o casal. ;Acho tudo um exagero. Tudo o que eles têm já é suprido por outros aplicativos mais conhecidos;, critica Amanda. Resolver brigas pelos aplicativos está fora de cogitação, na opinião dos dois. ;Um relacionamento é complexo demais para se resumir a um aplicativo, um conjunto de dados;, analisa Alessandro. ;Não é como uma conta de matemática. Acho que o que pode acontecer é o relacionamento já estar com problemas e o próprio casal não perceber. Não tem como colocar todos os detalhes em um aplicativo.;


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