True love

True love

Por Maria Paula
postado em 08/06/2014 00:00

Para quem ainda pretende ver o filme Malévola, aconselho fechar a Revista e guardar esta crônica para depois de assistir ao filme, pois vou começá-la já contando o fim da história. Angelina Jolie, no papel da famosa bruxa Malévola, que amaldiçoa a princesa Aurora no dia do batizado da menina, em vez de deleitar-se com a vingança, arrepende-se de ter jogado a Bela Adormecida no sono eterno e acaba salvando-a com um beijo!

Isso mesmo. Na versão pop, lançada recentemente no cinema, o tal amor verdadeiro (true love) não vem do príncipe encantado, que aparece para salvar a princesa, e sim da própria bruxa que lançou sobre ela a terrível maldição. É mesmo danada essa Angelina Jolie! Subverteu o clichê da bruxa má e ainda mandou um texto final de moral da história mostrando que ninguém é só bom nem só mau, mandando pelo ralo a visão maniqueísta dos contos de fadas à moda antiga.

Desde o começo da história, essa Malévola já não é tão má assim. Nem bruxa ela é! E sim uma fada, que, apenas por ser mais forte que todas as outras fadas, é temida e discriminada. Após viver uma desilusão amorosa, seguida pela mais cruel traição, resolve vingar-se do responsável por sua dor. No início, o garoto Stephen perde-se na floresta e a ;fada; Malévola corre para salvá-lo. Os dois se apaixonam à primeira vista. Logo no primeiro encontro, ele descobre que o ferro tem o poder de vencê-la e não hesita em jogar fora seu anel de ferro para poder tocá-la. Pronto, ela fica absolutamente encantada; Mas, com o passar do tempo, a ambição estraga as intenções do rapaz, que acaba por usar a informação sobre seu ponto fraco para cortar as asas da amada e, assim, conseguir o poder supremo da coroa real. Metáfora interessante essa de cortar as asas da amada, não?

Numa sociedade machista e patriarcal, isso é bastante comum. Enfim, após encenar uma vingança cujo nível de crueldade se iguala ao do cometido por Stephen ao traí-la, ela se afasta e fica por 16 anos observando Aurora. Primeiro, de longe; depois, de perto, até assumir verdadeiramente o papel de sua fada madrinha, cujo amor é tão verdadeiro que é capaz de salvá-la. Por um lado, é legal saber que até a mulher mais rancorosa é capaz de amolecer diante da delicadeza do amor, mas isso não apaga o sofrimento da mãe da criança, que foi afastada da filha ainda bebê, na tentativa de salvá-la da maldição. E, além do mais, ela cristalizou sua crença de que os homens não prestam e de que o verdadeiro amor não existe, a partir do seu próprio trauma. Outra atitude muito comum e perigosa. Partir para generalizações por apego a crenças me parece uma burrice sem fim!

Seja lá como for, eu acredito, sim, na existência do amor verdadeiro e desejo a todos o mesmo!

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