O berço do Dia dos Namorados

O berço do Dia dos Namorados

Por Márcio Cotrim
postado em 08/06/2014 00:00


No Brasil, ele é festejado no próximo dia 12, véspera do dia de Santo Antônio, o chamado santo casamenteiro. Sua origem histórica, porém, é bem remota.

A versão mais conhecida vem da Roma Antiga, no século 3. Deu-se que um padre chamado Valentim, desobedecendo a ordens do imperador Cláudio ; que proibira o matrimônio durante as guerras por acreditar que os solteiros eram melhores combatentes ; continuou celebrando casamentos. Acabou preso e condenado à morte.

Considerado mártir pela Igreja Católica, morreu em 14 de fevereiro, véspera das hipercais, cerimônias em honra de Juno, deusa da fecundidade e do matrimônio, e de Pã, deus da Natureza.

Outra versão diz que, no século 17, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia de São Valentim como Dia dos Namorados, adotado um século depois, nos EUA como Valentine;s Day, lembrando o nome do padre Valentim.

A propósito, dizia-se na Idade Média que 14 de fevereiro era o primeiro dia do acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados usavam a ocasião para deixar mensagens de amor à porta das amadas.

Aqui, a efeméride passou a ser festejada em 12 de junho de 1949, por iniciativa da loja paulista Exposição Clipper ; uma escolha de ordem prática, que nada tem a ver com o Valentine;s Day norte-americano.

Como junho é um período de vendas baixas, entre o Dia das Mães e o Dia dos Pais, o publicitário João Dória lançou a data com um viés eminentemente comercial, adotando o seguinte slogan: ;Não é só com beijos que se prova o amor;. Dizia ele: ;Com presentes também, é claro;.

O compositor Lamartine Babo, o Lalá, lembrando o santo casamenteiro, compôs a seguinte, delicada e ingênua canção junina: ;Eu pedi numa oração/ ao querido São João/ que me desse um matrimônio/ São João disse que não/ São João disse que não/ Isso é lá com Santo Antônio;...

AMOR ; Afeição, compaixão. Seu berço é o latim amor, designando um vínculo emocional com alguém ou com algum objeto capaz de receber esse comportamento carinhoso, meigo, terno. Não leva em consideração níveis sociais, inclinações políticas, raça ou religião. Amare é a base latina da palavra amar, como no idioma italiano até hoje. Não seria esse verbete suficiente para discorrer sobre a palavra talvez mais importante do mundo, pois ela é a alavanca, o impulso que inspira e conduz os seres humanos, inclusive no cumprimento do preceito bíblico ;crescei e multiplicai-vos;. Não existe, porém, amor mais puro e profundo que o amor de mãe traduzindo ternura para os filhos, sejam eles bebês ou marmanjos.

CARA-METADE ; O leitor e amigo Carlos Fernando de Souza Leite, de Brasília, DF, indaga a origem da expressão cara-metade. No sentido jurídico, de direito civil, corresponde à parte dos bens de que cada cônjuge pode dispor livremente por testamento ao ocorrer a morte do outro. Na linguagem comum, quando, com o matrimônio, o casal passa a ser, simbolicamente, um único ser, a metade dessa nova criatura corresponderia à porção masculina e também à feminina, ambas presumivelmente queridas, caras, daí a expressão. Só que, em muitos casos, como se diz, casamento começa em motel e acaba em pensão, ou, no início é meu bem pra cá, meu bem pra lá e, depois, são meus bens pra cá, seus bens pra lá;

PAIXÃO ; Do berço latino passio, passionis, sofrimento, martírio. Sensibilidade, entusiasmo que um artista transmite através de sua obra. Inclinação violenta capaz de dominar completamente a conduta humana e afastá-la de desejável capacidade de autonomia e escolha racional. Arrebatamento, desatino no relacionamento amoroso, diferente do amor, que é sereno, calmo, maduro e, sobretudo, inteligente. Atração intensa que uma pessoa sente por outra, afeição extraordinária. Conjunto dos padecimentos e episódios que precederam o sacrifício de Jesus.

;Em 1911, ninguém bebia um copo d;água sem paixão.; (Nelson Rodrigues)

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