Futebol, fondue e festa no cerrado

Futebol, fondue e festa no cerrado

A primeira partida de um Mundial na capital do país ficou marcada pela alegria e pela diversidade. Não houve confrontos, e o sistema de transporte atendeu aos milhares de torcedores que se dirigiram ao Estádio Nacional Mané Garrincha

» RENATO ALVES » RENATA RUSKY » JÚLIA CHAIB » GLÁUCIA CHAVES
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Até o tempo se rendeu ao clima de Copa. Na primeira partida de um Mundial de futebol na capital brasileira, a manhã fria e cinzenta se viu substituída por um sol forte e um céu azul assim que abriram os portões do Estádio Nacional Mané Garrincha. Brasilienses se misturaram aos estrangeiros de todo o mundo, em uma diversidade de cores, sotaques e sabores.

Dentro e fora da arena, gente do mundo inteiro se entendeu, mesmo sem falar a mesma língua. Até os manifestantes deram uma trégua. Em número reduzido, não incomodaram quem queria festejar. Entre os torcedores, raras provocações e nenhuma violência. O saldo, além do placar de 2 x 1 para os suíços frente aos equatorianos, foi de um dos maiores públicos da Copa ; no total, 68.351 pessoas acompanharam a partida ;, nenhuma ocorrência policial e muita festa.


A maior parte da torcida no Estádio na tarde de ontem apoiava a seleção do Equador, inclusive aqueles que vieram de lugares mais distantes, como o quarteto de Cingapura Tan Si En, 25, Cherlyn Ng, 25, Carol Tan, 25 e Evan Foo, 29. É a primeira vez que os fãs do argentino Messi visitam o Brasil. ;Decidimos que seria a hora de vir porque, desta vez, é no país do futebol;, disse Cherlyn. Eles torciam para a seleção equatoriana, mas comemoraram os três gols marcados pelos dois times.

Após a vitória da Suíça sobre o Equador, vitoriosos e perdedores rumaram para a festa. Para muitos, o primeiro ponto de parada para a comemoração foi a Feira da Torre, ao lado da arena. Equatorianos e suíços vestidos a caráter e com bandeiras em mãos pulavam e cantavam os hinos e as músicas de torcida de suas seleções. O equatoriano Andres Velasca, 32 anos, chegou a Brasília na última segunda-feira para assistir ao jogo do time e, depois, retornar ao país, na terça-feira. Embora o Equador tenha perdido, ele afirma ter valido a pena. ;Somos todos amigos;, disse. Ele fez amizade com os suíços Remo Zuyssig, 39, e Geni Widrig, 40.


Animados sempre
A derrota também não desanimou o grupo do equatorianos de Leonardo Miranda, 37 anos. Ele e mais quatro amigos estavam mais preocupados em decidir uma festa para a noite. Enquanto decidiam entre o Bar Primeiro no Sudoeste, um evento no Taguaparque ou qualquer outra festa, tomavam uma cerveja no Posto da Torre, no Setor Hoteleiro Sul. ;Viemos para ver a partida, mas nada impede que a gente descubra o que há para fazer na noite aqui;, contou.

Enquanto os perdedores só pensavam em afogar as mágoas na balada, um grupo de sete suíços bebemorava a vitória no Beirute da Asa Sul. Apesar de terem vencido a partida, os amigos não estavam muito animados para descobrir Brasília. ;Chegamos na terça, mas não gostei da cidade;, avalia Roman Limacher, 24 anos. Para o engenheiro, não há muitas opções de lazer na capital. ;Só o que tem aqui são hotéis e postos de gasolina.; Ele conta que pediu uma licença de duas semanas no trabalho para poder vir ao Brasil. ;Esperava mais. Vamos para Salvador amanhã, espero que seja mais animado.;

Para o casal norte-americano Sarah Hoffman e Matt Mulhearn, ambos com 36 anos, os bares do Plano Piloto, com árvores por toda a parte, foram a melhor pedida pós-jogo. A especialista em recursos humanos diz que conhecer o Brasil e assistir a um jogo da Copa do Mundo eram os sonhos deles. ;Achei a experiência muito melhor do que futebol americano ou basquete;, comparou ela. A organização para chegar e sair do estádio foi um dos pontos positivos apontados pelo contador. ;Já fui a outras partidas em estádios e, aqui, realmente foi exemplar;, elogiou.

A Secretaria de Segurança Pública do DF informou que não houve ocorrências no Mané Garrincha. O Samu fez um atendimento sem gravidade na arena.


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação