Deu vermelho!

Deu vermelho!

Europeus estavam à vontade na Torre de TV e comemoraram muito após a vitória sobre o Equador nos minutos finais da partida. À saída do Estádio Nacional de Brasília, o clima de cordialidade prevaleceu entre os torcedores das duas seleções

» THAÍS PARANHOS » KELLY ALMEIDA » DIEGO PONCE DE LEON » BRUNA SENSÊVE
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Diego Ponce de Leon/CB/D.A Press)
(foto: Diego Ponce de Leon/CB/D.A Press)









Com o apoio dos brasileiros, os equatorianos eram maioria dentro e fora do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Mas a maior festa, principalmente depois dos 90 minutos de partida, foi dos suíços, com a vitória de 2 x 1. Em menor número, eles entraram discretos na arena diante do grito ensurdecedor da torcida do Equador e se calaram quando a seleção equatoriana abriu o placar, aos 23 minutos do primeiro tempo. Os europeus só começaram a ganhar mais confiança quando a equipe fez o primeiro gol, no início do segundo tempo.

Dentro do estádio, a cor vermelha aparecia discreta entre as camisas amarelas. Brasileiros e equatorianos vibravam a cada lance, mas os suíços se mantiveram firmes. Até ameaçaram entoar alguns gritos, sem muita força. Mas o clima no Mané mudou completamente quando o jogador Haris Seferovic marcou o segundo gol da Suíça, aos 47 minutos do segundo tempo e liquidou o jogo. Era o que faltava para os suíços fazerem a festa em Brasília.

Na saída do estádio, tudo era motivo para comemorar. Rivalidade à parte, equatorianos e suíços deixavam a arena lado a lado, muitos tiravam fotos para levar de lembrança o momento histórico. Vestida com as cores da Suíça e com a bandeira do país pintada no rosto, a empresária Suter Thri, 50 anos, apostou certo na vitória da seleção. Ela chegou a Brasília ontem pela manhã e foi embora logo depois da partida. Mas não faltou tempo para comemorar. ;Agora, vamos a Salvador, ver o jogo Portugal e Alemanha, e depois vamos a Manaus para assistir à partida entre Suíça e Honduras, em 25 de junho;, contou.

Se teve festa no Mané Garrincha, no Taguaparque ; local escolhido para a transmissão de todos os jogos ;, a comemoração não deixou a desejar. O suíço Lukas Koch, 38 anos, assistiu ao jogo na arena e, ao lado da namorada, mexicana, e de um casal de amigos suíços, celebrou a vitória em Taguatinga. Eles estranharam a distância do centro da capital, mas não desanimaram. ;Estamos muito animados. Viemos comemorar aqui, mesmo sendo muito longe. Na frente do estádio, não tinha nada. As outras opções eram hotel ou bar;, disse. ;Gostei bastante do jogo. A Suíça ganhou no último minuto, mas foi legal. Vim com meus amigos equatorianos, que não estão comemorando que nem eu, mas estão tranquilos;, completou.

Festa na Torre
Antes de o jogo começar, o clima de festa tomava conta nas imediações do estádio. Os estrangeiros se misturaram à torcida brasileira e acabaram tornando a Feira da Torre uma espécie de ponto de encontro e intercâmbio. Por ali, antes do jogo, eles aproveitaram para esquentar os gritos de torcida, tirar fotos e provocar o time contrário. Tudo em clima de irreverência e descontração.

O ambiente era tão receptivo que alguns ficaram à vontade para exercitar hábitos culturais. Chamou a atenção, por exemplo, um fondue improvisado em cima de um barril. Um grupo de aposentados suíços nem pensou duas vezes. Derreteram o queijo, serviram pães e ainda convidaram quem estava por perto para experimentar.

Entre eles, o simpático Roland Walther, 68 anos. ;Meu sonho é ver uma final entre a Suíça e o Brasil, e o Brasil se consagrar vencedor.; Sendo ele suíço, a frase surpreendeu. ;Sejamos realistas, se a Suíça chegar à final será uma vitória. Mas o melhor time do mundo é o brasileiro;, elogiou o animado turista, que veio ao país acompanhado de 23 amigos.

Walther, no entanto, possui uma relação especial com o Brasil que remonta à Copa de 1966, disputada na Inglaterra. ;Eu estava hospedado no mesmo hotel que a Seleção Brasileira. Pude jantar com o Pelé. Tirei duas fotos e as guardo com todo carinho;, recordou. Segundo ele, ;ali teve início o amor pelo esporte;.

Enquanto conversava com a reportagem, Walther foi interrompido pelo gerente comercial Leandro Felipe, 28 anos, que pediu para tirar uma foto ao lado do sorridente senhor. Leandro, como Walther, também vestia um uniforme branco e vermelho. Ledo engano. ;Sou de Goiânia e torço para o Vila Nova. As mesmas cores da Suíça. Então, hoje, sou suíço desde criança;, divertiu-se. E Leandro não estava sozinho. ;Somos 22 vila-novenses. Chegamos às 5h, em uma van;, disse.

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