O lance fatal

O lance fatal

Embalado pelo apoio em massa do público brasiliense, que se juntou a torcedores do país sul-americano, o Equador saiu na frente diante da Suíça, mas tomou a virada, de forma dramática, nos acréscimos

GUSTAVO MARCONDES JÉSSICA RAPHAELA RODRIGO ANTONELLI THAÍS CUNHA
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Carlos Silva/CB/D.A Press



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(foto: Carlos Silva/CB/D.A Press )


Uma maré amarela recepcionou o Equador, ontem, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, para a partida contra a Suíça, pela primeira rodada do Grupo E. Do aquecimento no gramado à execução dos hinos nacionais, a torcida na capital, vestida com camisas da Seleção Brasileira, misturou-se aos milhares de equatorianos que invadiram a cidade nos últimos dias. A equipe ;tricolor; jogava em casa. Mas a morada dos vizinhos no Planalto Central não passou de ilusão. Depois de um começo apoteótico, com o gol de Enner Valencia no início do jogo, a equipe sul-americana foi traída pela própria euforia e tomou a virada, dramática, no último lance do confronto. Camuflados nos assentos da arena na maior parte do duelo, os suíços festejaram loucamente no fim.

O lance decisivo da partida começou na área de defesa da Suíça, quando o Equador pressionava, empurrado pelo público, em busca do gol da vitória ; os europeus haviam empatado no começo do segundo tempo. Aos 48 minutos, o meia Arroyo recebeu livre na grande área, em ótima condição de finalizar, mas demorou e foi desarmado por Behrami. Num contra-ataque relâmpago, a bola foi lançada para Rodríguez, que cruzou para Seferovic acordar os equatorianos do sonho. Delírio da parte vermelha das arquibancadas, que, ao fim, se mostrou bem maior do que aparentava.


O Equador, que não perdeu nenhum jogo em casa nas eliminatórias, estava em território neutro, afinal. O golpe sofrido no fim da partida foi descrito pelo técnico Reinaldo Ruedas como uma ;desorganização momentânea;, resultado da empolgação dos seus comandados com o ambiente da partida. ;Fomos traídos pela emoção.;

A derrota acabou sendo um golpe duro na bela apresentação da equipe sul-americana, que começou dominando a partida. Nos primeiros 45 minutos, o Equador ameaçava a Suíça pelos dois lados. Os europeus, sem conseguir criar jogadas, tentavam chegar ao gol apenas em chutes de fora da área. Aos 22, em cobrança de escanteio, Enner Valencia subiu sozinho para cabecear e fazer 1 x 0. Festa amarela no Mané, de equatorianos e de brasileiros.

Mas a torcida candanga, vestida de Seleção, aos poucos mostrou que a festa maior era pela estreia de Brasília na Copa do Mundo. E as belas ;olas; e os gritos de ;sou brasileiro;; por vezes, como no fim do primeiro tempo, quando o jogo esfriou, pareciam mais importantes que a própria partida.

Mudança
Alheia à festa nas arquibancadas, a Suíça tratou de se reorganizar no intervalo. O treinador Ottmar Hitzfeld trocou o volante Stocker pelo atacante Mehmedi, escalado na ponta-esquerda para deter os avanços da dupla Paredes e Caicedo pela direita do ataque equatoriano. A alteração deu certo, e mais rápido que o esperado. Com apenas três minutos em campo, Mehmedi aproveitou cobrança de escanteio para, de cabeça, empatar.

O 1 x 1 no placar deixou o confronto mais aberto. O Equador partiu para cima e deu espaços para a Suíça responder com jogadas de velocidade. O meia Shaqiri, do Bayern de Munique, era o mais perigoso. Os equatorianos chegaram mais perto com belo chute de Enner Valencia, que quase acertou o ângulo, e outro de Montero, que carimbou a trave do goleiro Benaglio.

Nos minutos finais, o preparo físico dos equatorianos parecia prevalecer, e o time pisou no acelerador em busca do gol da vitória, mas o excesso de confiança acabou sendo seu grande erro. Melhor para a Suíça, que saiu com três pontos de um jogo que lhe parecia amplamente desfavorável.

68.351
Total de torcedores presentes no Mané Garrincha, o maior público da nova arena

2 Suíça
Benaglio; Lichtsteiner, Von Bergen, Djourou e Rodriguez; Inler, Behrami, Shaqiri, Xhaka e Stocker (Mehmedi); Drmic (Seferovic)
Técnico: Ottmar Hitzfeld

1Equador
Dominguez; Paredes, Guagua, Erazo e Ayovi; Gruezo, Noboa, Montero (Rojas) e Antonio Valencia; Enner Valencia e Caicedo (Arroyo)
Técnico: Reinaldo Rueda

Gols: Enner Valencia, aos 22 minutos do primeiro tempo; Mehmedi, aos três, e Seferovic, aos 48 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Djourou e Paredes
Árbitro: Ravshan Irmatov (Fifa/Usbequistão)
Público: 68.351 presentes

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