A luta eleitoral para conquistar São Paulo

A luta eleitoral para conquistar São Paulo

Candidatos a presidente tentam ganhar espaço no maior colégio do país na largada da campanha nacional. Ontem, Lula acusou a oposição de pregar o ódio contra o PT e disse que o partido é vítima de preconceito

Denise Rothenburg
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Paulo Pinto/Analitica
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(foto: Paulo Pinto/Analitica )

São Paulo ; O estado com 36 milhões de votos para a campanha presidencial ; e onde nenhum dos três principais candidatos tem o berço político ; marcou no fim de semana o início do esforço dos partidos em busca desses votos. À exceção do PSB, que centrou suas atividades em Brasília e Recife, tucanos, petistas e peemedebistas jogaram as estruturas em campo para conquistar o eleitor paulista. Ali, onde o PT passa por suas maiores dificuldades, Dilma Rousseff pretende contar com os dois adversários do governador Geraldo Alckmin (PSDB): Paulo Skaf, do PMDB, e Alexandre Padilha, do PT, que oficializaram as candidaturas ao governo estadual nesses dois dias.

No caso do petista Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde de Dilma, quem deu o tom da convenção foi o ex-presidente Lula, que aproveitou o discurso ontem para falar de suspeitas de corrupção no governo federal, que acabaram deixando o PT na defensiva. ;Sei que tem gente no PT incomodada com esta coisa de corrupção. Quem tiver agoniado é bom entrar na internet e pesquisar todos os governos. Duvido que todos eles juntos criaram metade dos mecanismos que eu criei para combater a corrupção. Cada petista tem que ter orgulho de enfrentar esse debate. A diferença é que nós tiramos o tapete da sala.;

Os petistas não contarão apenas com Lula para tentar angariar votos em São Paulo. Eles esperam ainda a ajuda de autoridades do governo federal. Ontem, três ministras participaram da festa que oficializou a candidatura de Padilha ao governo estadual: as ministras do Planejamento, Miriam Belchior; da Secretaria das Mulheres, Eleonora Menicucci; e a da Cultura, Marta Suplicy. Antes da chegada de Marta, Miriam deixou alguns petistas preocupados com possíveis ações por uso da máquina. Em seu nome e da ministra da Secretaria de Direitos das Mulheres, Miriam colocou também seu papel no governo como objeto da campanha: ;Como militantes e como ministras, estamos à disposição no que for necessário nos nossos fins de semana para ajudar;, disse a ministra do Planejamento. ;Temos a oportunidade agora, com Padilha, de enxotar a tucanada do estado de São Paulo;, afirmou.

Melindres

Geraldo Alckmin é hoje tão favorito a mais quatro anos de mandato como governador que terá em seu palanque dois presidenciáveis: o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Aécio, percebendo a divisão, fez sua convenção na capital paulista de forma a colar logo a imagem de Alckmin a sua e, assim, cavar mais espaço entre o eleitorado paulista. O governador tem a vantagem, a estrutura e toda a sorte de prefeitos. Está desgastado, entretanto, com a falta d;água no sistema Cantareira, o que foi explorado por seus adversários nas duas convenções nesse fim de semana. Na convenção do PT, por exemplo, foi lembrado por todos os oradores que, se os tucanos querem um tsunami, deveriam provocar um para abastecer o sistema Cantareira.

Dilma, que era esperada na convenção de seu partido, optou por não comparecer, e mandou somente um vídeo para declarar apoio a Padilha. As razões foram meio que despistadas pelos petistas. Da parte do governo, a justificativa foi a audiência com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, em Brasília. Aos militantes petistas, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que Dilma não compareceu por problemas de saúde. Mas a razão foi outra. Dilma não foi para não melindrar o aliado com o qual ela precisa contar no estado, Paulo Skaf. O peemedebista ocupa hoje o segundo lugar nas pesquisas para governador. Se o quadro não mudar e houver segundo turno em São Paulo, é Skaf quem estará na segunda rodada contra Alckmin.

O candidato Alexandre Padilha, que falou por uma hora antes de Lula, deixou claro que o abastecimento de água estará presente na campanha. ;De água o PSDB não entende. Se entendesse, levaria à população de São Paulo.;

Durante o discurso, Lula criticou diretamente Fernando Henriquer Cardoso: ;Ontem (sábado), eu ouvi um ex-presidente falar a maior desfaçatez, que é preciso acabar com a corrupção. Ora, ele que estabeleceu a promiscuidade com o Congresso, porque começou a comprar votos para aprovar a releição;, disse. Lula comentou ainda que a campanha deste ano será ;perigosa;. ;Se em 2002 tinhámos que fazer a esperança vencer o medo, agora a campanha consiste na esperança vencer o ódio.;

Declaração

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, convocou, na tarde de ontem, uma coletiva de imprensa para rebater as críticas feitas por Aécio durante o lançamento de sua candidatura à Presidência. Mercadante afirmou que ;o único tsunami que nós tivemos foi a gestão pública em governos passados;, em referência à declaração do tucano. Em convenção nacional partidária no sábado, Aécio disse que um ;tsunami vai varrer; o poder do PT nestas eleições.


Colaborou Daniela Garcia

"Existe uma campanha de ódio por parte dos adversários contra o PT. As hostilidades dirigidas a Dilma vieram de parte de uma elite"
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente

"Um tsunami vai varrer aqueles que não têm se mostrado dignos e capazes de atender as demandas da sociedade"

Aécio Neves, durante discurso feito no sábado em São Paulo

36 milhões

Número de eleitores no estado de São Paulo

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