Violência assusta

Violência assusta

» RODOLFO COSTA
postado em 16/06/2014 00:00


A violência urbana e o péssimo serviço de transporte urbano tiram o sono da aposentada Sandra Marques, 54 anos. ;A sensação que tenho hoje é de total ausência do Estado. Cobram tantos impostos, mas não vemos nada revertido a nosso favor;, afirma. Para ela, havia um conformismo com os assaltos e mortes ocorridos nas ruas. ;Mas, hoje, sabemos que não estamos mais seguros nem dentro de casa. A violência avançou sobre nós de uma forma impressionante;, acrescenta.

Sandra ressalta que, quase todas as semanas, precisa sair de casa para fazer exames médicos, pois teve de se submeter a uma cirurgia bastante complicada. Como não tem carro, recorre ao transporte público. ;É assustador. Há dias em que espero até uma hora por um ônibus. Pior, já fiquei várias vezes no meio do caminho porque o veículo no qual eu estava quebrou;, assinala. ;Infelizmente, vivemos de promessas não cumpridas de nossos governantes. Então, como não ficar decepcionada?;, indaga.

A insatisfação é grande também para Gabriela Dias Peixoto, 15, moradora de Ceilândia. Ela passou a estudar em uma escola particular há dois anos, devido ao péssimo serviço prestado pelo governo. ;O ensino público está muito aquém do que o cidadão merece;, avalia ela, que ainda se queixa do transporte coletivo. ;Não são raras as vezes que espero mais de 40 minutos por um ônibus que passa por ruas ou estradas malcuidadas, cheias de buracos;, afirma.

Retorno

No entender do professor João Saboia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda vai demorar para que os brasileiros possam ter um retorno mais adequado dos tributos que recolhem ao Estado, pois o inchaço da máquina pública engole boa parte dos recursos que poderiam ser aplicados em melhoria da infraestrutura, da educação e da saúde. Ele destaca ainda que, para os trabalhadores terem novos aumentos de renda, em um quadro de inflação mais alta, será necessário elevar a produtividade, ;que é baixa, sobretudo no setor de serviços, no qual foram criados mais postos;. Isso passa obrigatoriamente, ele explica, por ganhos na educação.

PIB e desemprego
Apesar de o governo garantir que os brasileiros não se preocupam muito com o baixo crescimento da economia, o ritmo lento do Produto Interno Bruto (PIB) está incomodando, sobretudo pela perspectiva de que o desemprego pode aumentar. Na avaliação dos economistas, a se confirmar a queda da atividade no segundo trimestre do ano, indústria e comércio podem começar a cortar postos de trabalho, prejudicando as famílias mais endividadas.

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