Capas & Copas

Capas & Copas

anadubeux.df@dabr.com.br
postado em 16/06/2014 00:00

O futebol, já dizia Nelson Rodrigues, dentre as coisas pouco importantes da vida, é a mais importante. Nós nos inspiramos no extraordinário escritor para produzir a capa da primeira vitória do Brasil na Copa de 2014. Uma estreia que mais pareceu uma crônica rodrigueana. Teve de tudo: gol contra, um juiz amistoso ; o nosso anjo japonês ; com a malandragem de Fred, as grosserias contra a presidente Dilma Rousseff.

Depois, no dia em que a Holanda deu uma surra em campo nos espanhóis, os atuais campeões mundiais, eis que a Lua irrompe cheia e amarelada por trás de um Congresso Nacional iluminado com as cores do Brasil. Poesia pura, que roubou espaço da vitória holandesa. A primeira página foi um cartão de boas-vindas aos turistas, que desembarcaram aos montes na capital.

No domingo, a capa do Correio não podia deixar de estampar a vibração de equatorianos e suíços na véspera do primeiro jogo de uma Copa do Mundo em Brasília. Uns mais efusivos, outros mais comedidos ; no fim das contas, bem nos acréscimos, os suíços riram por último e seguiram em comemoração pela cidade, que, na verdade, já festejava desde cedo. É certo que o Equador, com sua presença maciça e multicolorida, roubava a cena antes do jogo e que, mesmo depois da derrota, foi fazer festa nas ruas.

Ontem, não fui ao Estádio Nacional Mané Garrincha, berço de tantas controvérsias, mas indiscutivelmente um dos mais lindos estádios do Brasil. Mas soube por amigos que foi uma celebração do tamanho do público recorde. Mais de 68 mil pessoas dentro da arena. Do lado de fora, apesar das filas e das longas caminhadas, o que transparecia era uma Brasília pintada de alegria. Cores, chapéus, fantasias, tanta gente na rua, como há muito não se via ; ouso dizer que nunca assistimos a um movimento assim. Bastou um giro pela cidade para não reconhecê-la. Acostumados com os amplos espaços vazios, os monumentos como parte do nosso mobiliário urbano, os brasilienses viram com olhos esbugalhados a sua cidade se acender, como diz a música. Bom de ver, bom de sentir. Ainda bem que vai ter bis ; seis vezes.

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