Rio em dia de Buenos Aires

Rio em dia de Buenos Aires

postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Marcos Paulo Lima/CB/D.A Press)
(foto: Marcos Paulo Lima/CB/D.A Press)

Em meio ao gritos, cânticos de guerra, caminhadas, correrias e à bebedeira dos fanáticos torcedores argentinos nos arredores do Maracanã, um passeio calmo, sereno e tranquilo de um vovô com seus dois netinhos é capaz de parar o trânsito. Eles não chamam a atenção por causa da camisa 10 com os nomes dos ídolos Diego Armando Maradona às costas, muito menos Lionel Messi. ;Essa roupa faz parte da nossa cultura. Cada cidade tem o seu traje típico. Esse é o nosso;, explicou o vovô Hugo Lisowy, de 64 anos.

Torcedor fiel da Argentina, Hugo é frequentador assíduo da Copa do Mundo desde o primeiro título da Argentina, em casa, em 1978. ;Ganhei duas Copas. Essa será a terceira e, desta vez, os meus netos vão testemunhar a história;, disse, apontando para o baixinho Maximo Garcia, 8, e para a linda Ornella Garcia, 5. ;Eles estão muito felizes por viver esse clima de Argentina no Rio de Janeiro. Hoje, o nome da Cidade Maravilhosa é Buenos Aires;, alfinetou, assustando com a quantidade de hermanos trafegando para lá e para cá no Maracanã.

Procissão
Hugo levou a família de carro de Santa Fé ao Rio. ;Foram cinco dias de viagem. Tudo devidamente documentado. Afinal, estamos aqui pelo tricampeonato;, profetizou. Enquanto se esforçava para ser ouvido, torcedores cantavam o hit: ;Voltaremos, voltaremos, voltaremos a vencer, voltaremos a ser campeões, como em 1986;.

Próximo da família, um argentino nascido no Rio colava na bilheteria cinco do Maracanã um cartaz com trecho do hino da Argentina. ;Sou carioca, mas preferi ser registrado como argentino;, disse Israel Hidequel, 26. ;O meu pai veio trabalhar aqui, conheceu a minha mãe, mas escolhi torcer pelo país do meu avô. Isso dá o maior problema lá em casa, mas foi a minha decisão;, riu o jovem, acompanhado do amigo genuinamente argentino Rodolfo Pérez, 21.

Dezenas de milhares de torcedores argentinos bloquearam o trânsito da Avenida Atlântica no início da tarde e a polícia precisou usar spray de pimenta para dispersar a multidão. Boa parte ficou cantando e pulando sem parar em frente ao Maracanã, com provocações a Pelé. Muitos dos turistas que vieram ao Rio estavam sem ingresso. Tentaram de todas as maneiras conseguir entrar, mas sofreram nas mãos de cambistas, que cobravam até R$ 1,5 mil por um bilhete que custava R$ 60 no site da Fifa.

Em minoria, os torcedores da Bósnia e Herzegóvina vinha de diferentes países. Refugiados de guerra, Aldin Derizevic, Haris Kolenovic e Remal Derisevic obtiveram asilo nos Estados Unidos durante o conflito que esfaecelou a Iugoslávia. ;Viemos de Nova York para torcer pelo nosso país. Se o jogo terminar 1 x 1, já seremos vencedores. A nossa seleção é estreante, mas a minha torcida é por uma vitória por 2 x 1;, dizia Aldin Derizevic. (MPL)

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