Do pop à psicodelia dos Beatles

Do pop à psicodelia dos Beatles

JULIANA FIGUEIREDO
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Agência Lema/ Divulgação)
(foto: Agência Lema/ Divulgação)


Um disco inspirado não só pela música dos Beatles, mas também pela história e pelas transformações de cada um de seus integrantes. Este é o Aurora, projeto paralelo da cantora Bárbara Eugênia e de Fernando Cappi, o Chankas, guitarrista da Hurtmold. A ideia de fazer um álbum surgiu enquanto Bárbara lia o livro The Beatles: A história por trás de todas as canções, do britânico Steve Turner, no final de 2012. Depois de compor as letras, ela chamou Chankas para musicar o trabalho, e foi assim que a bela parceria nasceu.

;Não é um disco sobre os Beatles, mas sobre os questionamentos e reflexões que nasceram em mim a partir da leitura do livro, e sobre coisas que eu passei e queria compartilhar. O que me inspirou foi a história deles, desde o iê-iê-iê, passando pelas canções mais profundas e espiritualizadas, até chegar às carreiras solo, em que cada um estava na sua onda, fazendo a sua música, todos com muita riqueza;, conta Bárbara.

Embora o objetivo não tenha sido fazer algo que remetesse ao som da banda britânica, e, sim, seguir por um caminho mais folk, country e, da parte de Chankas, inspirado na obra de Neil Young, as semelhanças com as canções dos Beatles são notáveis, seja em baladas como Say goodbye (;And i;ts so hard to live without you/ We should be open to what is new;), na qual quase chegamos a ouvir Lennon e McCartney ao fundo, seja em Why so mute? (;Lately I;ve been mute/ I don;t know if I;ll find a companion;), cujo toque psicodélico no fim abre alas para a metade mais experimental do disco, quase o que Revolver (1966) representou para os Beatles.
Depois da ruidosa Stand up for yourself, Bárbara canta Climb the stairs, uma faixa inspirada na história de John Lennon e Yoko, que tem toda a malemolência tropical do último trabalho solo da cantora, É o que temos (2013). As influências pessoais de Chankas também estão lá. Além de integrar a Hurtmold, o músico faz parte da banda de Marcelo Camelo, e tem um projeto solo no qual toca com Richard Ribeiro e Regis Damasceno, também convidados para participar da gravação do Aurora.
Referências

O disco tem Regis (Cidadão Instigado, Lucas Santtana) no baixo, violão, bandolim e guitarra, Richard (Marcelo Jeneci, Gui Amabis, Tulipa Ruiz) na bateria e percussão, Thomas Rohrer (Zeca Baleiro, Chico César) na rabeca, violino e sax barítono, Guizado no trompete, Gil Duarte no trombone e Davi Bernardo na guitarra. Regis e Richard também assinam, com Bárbara e Chankas, a autoria da faixa que dá nome ao disco. ;Regis é o cara que eu conheço que mais entende de Beatles. Desde o início, pensei em chamá-lo;, diz Bárbara sobre o nome por trás de Mr. Spaceman, projeto solo do músico com referências claras dos Beatles e dos Smiths.

Apesar de a história da banda de Liverpool ter sido a motivação inicial para o surgimento do Aurora, Bárbara e Chankas têm planos de lançar trabalhos futuros inspirados em temas diversos. ;Aurora é um nome que tem a ver com transformação, despertar de consciência. Estamos interessados em fazer qualquer tipo de música, desde que passe uma mensagem boa, bonita, de amor;, finaliza a cantora. Enquanto não ganha uma versão física, Aurora está disponível para audição gratuita na web.

9
Número de faixas do disco

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