Colorindo o mundo

Colorindo o mundo

Com materiais alternativos, o norte-americano Donald Drawbertson produz peças inspiradas na Copa do Mundo

Bernardo Bittar Especial para o Correio
postado em 16/06/2014 00:00
 (foto: Tara Sgroi/DivulgaçãoTara Sgroi/Divulgação)
(foto: Tara Sgroi/DivulgaçãoTara Sgroi/Divulgação)


Criador de um estilo de arte casual inspirado em colagens, desenhos e pintura ; ele define como ;arte chique e brincalhona; ;, o artista norte-americano Donald Drawbertson lança uma coleção de gravuras com inspiração na Copa do Mundo deste ano. Entre os elementos menos convencionais, um saco de papel e até latinhas de refrigerante usadas serviram como matéria-prima. ;Pretendo seguir produzindo durante os jogos;, diz o artista em entrevista ao Correio.


Um dos temas abordados nesta última coleção é a sensualidade das brasileiras, vestidas por ele com minissaias de países como França, Itália e África em uma gravura pintada em papel comum. ;São as famosas mulatas. Como o Brasil é um país hospitaleiro, elas se vestiram com bandeiras de outros países para demonstrar o respeito que a nação tem pelos outros povos;, explica Drawbertson.


A religião também ganhou espaço por meio da paródia do famoso afresco A Criação de Adão, de Michelângelo, onde um Deus com barbas brancas dava vida ao ex-jogador de futebol Pelé. ;Ele ficou um pouco escurecido demais, portanto tive que refazer;, lembra. Na obra, a impressão é de que Edson Arantes está recebendo um dom divino diretamente das mãos do Criador.


Outro objeto polêmico recria um modelo de bolsa da grife francesa Louis Vuitton, que, na versão de Donald, é feita a partir de faixas verdes e amarelas de fita adesiva coladas em uma sacola de papel finalizada com a logonarca LV pintada em azul. A obra faz uma brincadeira com o mercado de alto luxo, deixando a entender que as peças são rapidamente descartáveis.


Personalidades como as editoras de moda Carine Roitfeld, da Vogue Paris, e Anna Wintour, da Vogue Americana, quando reproduzidas pelo artista, têm fisionomias menos detalhadas que suas roupas. ;Quando faço alguma coisa da Carine, por exemplo, monto um vestido bem chamativo com fitas adesivas e pinto seu rosto e corpo com traços desorganizados em tinta a óleo ou com marcadores de texto pretos;, ensina.
Versátil

Durante o dia, Donald Robertson (como é conhecido formalmente) trabalha na força criativa de empresa de cuidados para a pele. Ele também foi um dos três fundadores da gigante dos cosméticos M.A.C., que ganhou destaque no mundo por conta de suas cores extravagantes de batons e sombras. ;Eu simplesmente amo cores. Cor, cor e cor. Juntas, sempre dão certo. Amo colorir, e acho que demonstro isso tanto no meu trabalho nas empresas quanto no ateliê;, justifica.


Embora esteja homenageando o País do Futebol, Donald nunca veio ao Brasil. ;Imagino que seja um bom lugar para se viver. Ouço falar maravilhas;, elogia. O relações públicas da grife Valentino, Carlos Souza, fez um convite que deve se concretizar em breve. ;Ele me chamou para passar uma temporada em sua casa de praia. Estou adorando a ideia e quero ir em breve;, diz Robertson.

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