EUA articulam reaproximação com o Brasil

EUA articulam reaproximação com o Brasil

Joe Biden, o vice de Obama, aproveita visita para assistir à vitória da seleção americana contra Gana, discute com Dilma o incidente da espionagem e defende a reaproximação diplomática com o Brasil

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Roberto Stuckert Filho/Reuters)
(foto: Roberto Stuckert Filho/Reuters)



Depois de acompanhar a estreia da seleção norte-americana na Copa do Mundo, na noite de segunda-feira, o vice-presidente dos Estado Unidos, Joe Biden, aproveitou a visita ao Brasil para articular a reaproximação entre Washington e Brasília. Biden, que teve reuniões separadas com a presidente Dilma Rousseff e com o vice-presidente Michel Temer, na manhã de ontem, foi a primeira autoridade da Casa Branca a visitar o país desde as revelações de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) espionou cidadãos e empresas brasileiras, incluindo a presidente e assessores.

Depois dos encontros, não houve pronunciamento conjunto das autoridades. O vice de Barack Obama falou à imprensa mais tarde na embaixada americana e relatou que teve uma conversa ;franca; com Dilma e fez questão de enaltecer a parceria entre os dois países. Em um gesto de cooperação, anunciou o compartilhamento de documentos relativos à ditadura militar brasileira com a Comissão Nacional da Verdade (leia mais ao lado).

Após o mal-estar causado pelas denúncias de espionagem ; feitas no ano passado, com base em documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden ;, que provocaram o cancelamento da visita de Estado que Dilma faria a Washington, Biden foi recebido no Palácio do Planalto para uma ;longa conversa; sobre as relações bilaterais. A fim de demonstrar disposição para superar o incidente da espionagem, ele declarou que se tornou amigo de Dilma e de Temer ; com quem se encontrou no Palácio do Jaburu. O visitante afirmou que ;se dá muito bem; com a presidente e que ;sempre aprecia; o tempo que passa ela. ;Sempre aprendo alguma coisa.;

Acompanhado da neta e de um sobrinho, Biden demonstrou bom humor para a imprensa. ;Eu sou o avô favorito da família agora;, brincou, referindo-se ao fato de ter atendido aos pedidos dos acompanhantes para assistir à partida dos EUA contra Gana, na Arena das Dunas (Natal). Feliz pela vitória da seleção americana, Biden elogiou o governo brasileiro pelo ;trabalho incrível no preparo; da competição, com a ressalva de que ficou ;mais entusiasmado com o que aconteceu em campo do que com a construção dos estádios;.

Ao abordar o tema espionagem, o vice dos EUA reconheceu que o assunto é importante para os cidadãos brasileiros e americanos e afirmou ter discutido com Dilma os programas de vigilância utilizados por seu país, e que serão revisados a pedido de Obama. ;Em janeiro passado, os EUA anunciaram uma importante reforma, incluindo a aplicação das mesmas proteções de privacidade, de acordo com a nossa Constituição, para com as pessoas do nosso país, para os cidadão dos mundo;, informou.

Biden observou que a internet ;não é uma ferramenta de repressão; e destacou a ;importante liderança; brasileira nos esforços para proteger e tornar a rede mais segura. O vice-presidente considerou que Brasil e EUA possuem ;uma clara convergência de valores; e que não há ;conflito de interesses óbvios; entre os Estados. ;Há um grande potencial para fortalecermos essa parceria e isso foi refletido em nossa conversa. Somos duas democracias fortes e diversas, com povos generosos e empreendedores;, ponderou.

Biden lembrou que o comércio entre as duas nações movimenta anualmente US$ 100 bilhões e que os EUA investem cerca de US$ 80 bilhões no Brasil. ;Não há motivos para que isso não continue a crescer.;

Venezuela

Classificando o Brasil como ;parceiro global;, Biden indicou que tratou com Dilma de temas da agenda internacional. Segundo o visitante, os dois conversaram sobre o trabalho que ;o Brasil e outros parceiros regionais já fizeram; para solucionar o impasse político na Venezuela. O vice dos EUA ressaltou o interesse em ;trazer uma maior inclusão política, estabilidade e a proteção dos direitos humanos básicos; ao Estado dirigido pelo presidente Nicolás Maduro.



Pé quente em Natal
Joe Biden viu premiado o empenho de conciliar a presença protocolar à estreia da seleção americana, na Arena das Dunas, com mais uma investida destinada a quebrar o gelo entre a Casa Branca e o Planalto. Biden não voltará para casa com o troféu diplomático ; a remarcação da visita de Estado da presidente Dilma a Washington, adiada no ano passado ;, mas assistiu a uma partida com emoções do começo ao fim. De volta ao Brasil, onde surpreendeu a favorita Inglaterra na Copa de 1950, o time dos EUA marcou o gol mais rápido da edição deste ano (até ontem), mas sofreu o empate de Gana no segundo tempo. Nos últimos minutos da partida, porém, o vice de Obama viu o reserva Brooks decidir o jogo e acabar com um tabu ; os EUA tinham sido derrotados pelo mesmo adversário africano nas
Copas de 2006 e 2010.

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