Argentina rebaixada

Argentina rebaixada

postado em 18/06/2014 00:00
A agência de classificação de risco Standard & Poor;s (S) rebaixou ontem a nota da dívida da Argentina, de CCC+ para CCC-, e a colocou em perspectiva negativa, sinalizando que podem ocorrer novos quedas. A redução ocorreu depois da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, na segunda-feira, se recusou a ouvir o recurso do país vizinho sobre a tentativa de evitar o pagamento de US$ 1,33 bilhão a credores de fundos de hedge (especulativos). ;O governo da Argentina tem capacidade limitada de pagar os credores que entraram com a ação e, ao mesmo tempo, o serviço da dívida;, afirmou a agência.

Ontem, um dia depois da rejeição do recurso argentino, o ministro da Economia, Axel Kicillof, anunciou que o país adotará as medidas necessárias para pagar os débitos refinanciados sob a lei local e evitar a moratória. ;Não podemos permitir que nos impeçam de honrar compromissos com os detentores de bônus que entraram na reestruturação;, afirmou Kicillof. ;É por isso que estamos dando passos para iniciar uma troca de dívida e pagá-la na Argentina sob a lei argentina;, disse.

Após o default de 2001 e 2002 em US$ 100 bilhões, credores de 93% dos bônus da dívida argentina aceitaram participar das trocas dos papéis, reduzindo para US$ 0,25 a US$ 0,29 cada dólar devido. Segundo Kicillof, a decisão da Justiça norte-americana, se aplicada como foi determinada, levará o país a um novo default. Na segunda-feira à noite, a presidente Cristina Kirchner discursou, em cadeia nacional, e explicou que hesita em desembolsar logo a quantia ; considerada relativamente pequena ; , ;porque existem outros credores que estariam em condições de cobrar US$ 15 bilhões agora;. Segundo ela, isso é mais da metade das reservas do banco central do país.

Mercado
Com o pregão encurtado por conta do jogo da Seleção, a Bolsa de São Paulo fechou em queda, mas não refletiu o rebaixamento da nota da dívida argentina. O recuo de 0,60%, com 54.299 pontos, tem a ver com notícias vindas do Iraque e dos EUA. Ontem, a maior refinaria de petróleo do país árabe foi fechada, e os funcionários estrangeiros retirados do local, o que refletiu nas ações da Petrobras, já que a cotação internacional do petróleo segue em alta.

Dos Estados Unidos vieram informações de que os preços ao consumidor aumentaram fortemente em maio, provocando temores de que o Federal Reserve (Fed ; banco central do país) possa começar a aumentar os juros, tornando o investimento nos EUA mais atraente. Vale ressaltar também que o Federal Open Market Committee (Fomc) divulga hoje, além de decisões sobre a política monetária, as projeções atualizadas sobre crescimento e inflação.

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