Indústria fraca, pacote à vista

Indústria fraca, pacote à vista

Dificuldade enfrentada pelo setor já atinge o emprego. Governo anuncia hoje novos benefícios para as empresas

» BÁRBARA NASCIMENTO » ROSANA HESSEL
postado em 18/06/2014 00:00
Com estoques acima do planejado, a produção industrial manteve a tendência de queda, em maio, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de evolução da produção registrou 48,4 pontos no mês passado e ficou, pelo sétimo mês consecutivo, abaixo dos 50 pontos, em uma escala de 1 a 100. A CNI considera que, acima de 50 pontos, há alta na produção, e abaixo, queda.

O cenário é considerado de ;grande dificuldade; para o setor, informou a CNI, e se agravou porque, com queda de produção e estoques altos, há tendência de queda no emprego. Com isso, o índice de evolução do número de funcionários recuou de 47,8 para 46,8 pontos. O indicador está abaixo dos 50 pontos em todos os portes de empresas, informou a CNI. No caso das pequenas, está em 46,4 pontos; nas médias, 45,8 pontos; e, nas grandes, 47,5 pontos, ;mostrando uma disseminação da queda do número de empregados pela indústria;.

Mas a crise não se concentra no segmento industrial. O setor de serviços também vive um período difícil. Em abril, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento nominal de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior foi o menor desde março de 2013, quando o avanço havia sido de 6,1%. A receita dos serviços, no ano, acumula alta de 8%, também a menor desde março do ano passado.

Não à toa, o governo, preocupado com a aproximação dos empresários com a oposição, deve anunciar hoje um pacote de medidas para favorecer a indústria. A presidente Dilma Rousseff vai se reunir com os representantes do segmento, no Palácio do Planalto. Devem entrar no pacote decisões de ordem tributária, regulatória e também mudanças na tomada de crédito.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que não poderia adiantar o que vai ser anunciado hoje. ;As medidas ainda estão em estudo;, disse a jornalistas. Entre os pedidos dos empresários que devem receber o sinal verde da presidente, estão o prazo maior para pagamento de tributos e a transformação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) em um benefício permanente.

Reaproximação

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, foi um dos empresários convidados para o encontro, mas não poderá comparecer, pois tem outro compromisso. De qualquer forma, ele considera muito positiva a reaproximação de Dilma com os empresários.

A reunião de hoje será uma sequência da realizada em 22 de maio, em que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou uma lista de pedidos ao governo no Fórum Nacional da Indústria. Ao todo, 36 empresários participaram do encontro. Apesar de ver como positiva a possibilidade de concessão do governo aos pedidos feitos, Castro não se empolga. ;Quaisquer que sejam as bondades, elas serão bem-vindas. Qualquer medida que venha ser anunciada agora, no entanto, só terá efeito para o comércio exterior em 2015;, completou.


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