Usina de asfalto é fechada

Usina de asfalto é fechada

» ROBERTA PINHEIRO » CAMILA COSTA
postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 7/6/14)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 7/6/14)

A usina de asfalto que estava funcionando de forma irregular à margem da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) foi fechada, na manhã de ontem, por decisão liminar da Justiça. O descumprimento da sentença implicará multa diária de R$ 50 mil. Há meses, moradores da Superquadra Brasília (SQB), da Colônia Agrícola Águas Claras, do Conjunto Habitacional Lúcio Costa e do Jockey Clube reclamavam da fumaça, da fuligem e do barulho produzidos pela unidade. Além do incômodo com a poeira e com o ruído das chaminés, eles relatam dificuldades para respirar, tosse constante, dores de garganta, ardência nos olhos, entre outras. De acordo com os vizinhos, os problemas de saúde estão relacionados ao funcionamento da usina próximo às residências.

O problema está na liberação de vapores pela fábrica, que são conhecidos por conterem toxinas. Entre tosses, o engenheiro eletricista Fernando Alves de Lima, 53 anos, relata que há dias não consegue dormir com dificuldades para respirar. ;Parece que o ar não entra, tem que respirar profundamente. Além disso, dá um chiado no peito e um cansaço muito forte;, comenta. O médico disse a Fernando que o problema é a poluição do ar.

Desde que começou a sentir o mal-estar, Fernando toma três remédios por dia.As crianças também são vítimas do funcionamento da fábrica. A filha de Fernando, Ana Clara Lima, de 10 anos, depois de brincar no condomínio, disse que respirava um ar pesado. ;A usina solta um gás tóxico cujo cheiro é muito forte e, dependendo da posição do vento, ninguém consegue respirar. Não queremos prejudicar a produção de asfalto da cidade, mas ela poderia ser transportada para um local, onde não provoque prejuízo para a população;, afirma o engenheiro.

Sem alvará
A fábrica foi instalada em 2009 para dar suporte às obras da Linha Verde da Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Segundo os vizinhos, ninguém notou o que funcionava no local porque parecia um canteiro de obras fechado por tapumes. Em 2012, começaram a sentir um cheiro forte e o morador Fernando Alves começou a investigar a origem do odor. ;Em agosto de 2012, enviei um e-mail ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram), que determinou a interdição total da usina. Ela ficou parada até outubro de 2013, quando voltou a funcionar ainda mais ativa. Outros moradores passaram a notar e, em dezembro do mesmo ano, fizemos a primeira denúncia no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT);, explicou. A reportagem procurou o responsável pela empresa, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta.

Em seguida, vieram os processos na Administração Regional do Guará e no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O Correio apurou que a empresa Asfalto Brasília, responsável pela fábrica de 2009 até início de 2014, foi por duas vezes interditada pelo Ibram. Em nota, o superintendente de Licenciamento e Fiscalização do instituto, Aldo Fernandes, informou que, dois anos após a primeira autorização, a empresa solicitou uma licença ambiental que foi negada pelo órgão, porque o documento caracterizava atividade permanente. Em agosto de 2012, o funcionamento da usina foi interditado pela primeira vez.




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação