Enquanto uns torcem, Angela cata lixo

Enquanto uns torcem, Angela cata lixo

postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Braitner Moreira/CB/D.A Press)
(foto: Braitner Moreira/CB/D.A Press)


Fortaleza ; Mais de 60 mil pessoas se encaminhavam ao Castelão, ontem, para o jogo entre Brasil e México. Com muita música, palpites de placar e algumas provocações, o clima era de festa. Os vendedores ambulantes de cerveja, mesmo que proibidos pelo embargo comercial da Fifa, circulavam pela entrada e animavam ainda mais o pré-jogo.

Bem perto de dali, a cerca de 1,5km, a catadora Angela Vieira, 31 anos, estava dentro de uma caçamba recolhendo lixo para depois vender. Ela passa cerca de 12 horas por dias nessa tarefa. O governo local instalou traves e redes no local para incentivar os torcedores a acertar o ;gol; e jogarem seus resíduos no lugar certo. ;Eu sou a goleira, né?;, ironizou a catadora.

Em dias comuns, Angela fatura cerca de R$ 20. A Copa do Mundo tem ajudado a catadora, que consegue arrecadar ;uns 45, 50; reais quando há jogos no estádio. Ao terminar o trabalho de coleta, ela leva o lixo para seu barraco no bairro do Castelão e separa, com a ajuda dos filhos, o que pode ser vendido depois.

No seu melhor dia de trabalho, se completasse com mais R$10, Angela até conseguiria comprar um ingresso para assistir a um jogo do Mundial, já que a Fifa disponibilizou entradas por R$ 60 em algumas partidas. Mas o valor que consegue diariamente é para sustentar os três filhos e ela mesma, que é separada. Angela está na torcida para o Brasil ganhar a Copa. Na opinião da catadora de lixo, ;a festa seria boa para diminuir o sofrimento por aqui;. (BM)


;A festa seria boa para diminuir o sofrimento por aqui;
Angela Vieira, catadora, explicando sua torcida para o Brasil ganhar o Mundial


R$ 20
Valor que a catadora costuma faturar em dias comuns


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