Chilenos na estrada

Chilenos na estrada

Para seguir a seleção de Valdivia, a família Fernández percorrerá mais de 5 mil quilômetros de carro. A comitiva de seis pessoas só reclama das condições de segurança nas rodovias brasileiras

AMANDA MARTIMON javascript:mudarAba('relacionamento');ocultarDivs();
postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press)

Há dois anos, a família Fernández começou a se organizar para vir ao Mundial no Brasil. A comitiva é grande. Carlos, 52 anos, Ivonne, 53, e os quatro filhos ; Agustino, 17, Joaquin, 19, Vicente, 22, e Tomás, 24 ; formam o comboio que cruzará o país. Na volta para casa, os torcedores chilenos terão percorrido mais de 5 mil quilômetros em cinco estados brasileiros, além do Distrito Federal. Ao fim da Copa, o saldo será de 70 horas na estrada.


Apenas dois dos oito trechos planejados pela família serão feitos pelo ar: o percurso de ida e volta entre Santiago e São Paulo. Todo o restante será percorrido em quatro rodas. A saga tem um único objetivo: ver a seleção chilena jogar a final no Maracanã, em 13 de julho. Quando questionada sobre a confiança exacerbada, como se houvesse um tom de brincadeira por trás da convicção, a família é enérgica. ;Não existe a possibilidade de o Chile não chegar à final;, enfatiza, em coro.


Depois de desembarcar em São Paulo e alugar um carro, o primeiro destino dos Fernández foi Brasília. Uma parada estratégia para conhecer a cidade e retirar os bilhetes comprados pela internet. Aqui, eles ainda tentaram, sem sucesso, adquirir entradas para o jogo de hoje, contra a Espanha, no Rio, único duelo chileno da primeira fase para o qual eles não tinham ingresso.
Do Distrito Federal, os Fernández seguiram viagem para Cuiabá, onde acompanharam a vitória por 3 x 1 sobre a Austrália, na Arena Pantanal, na sexta-feira passada. Carlos conta que as horas passadas na estrada valeram a pena. ;Decidimos vir há muito tempo. Somos apaixonados por futebol;, comemora o pai, motorista oficial do grupo.


De Mato Grosso, a família seguiu para Belo Horizonte, onde testemunhou, ontem, a virada da Bélgica para cima da Argélia. Sem perder tempo, a turma pegou a estrada rumo ao Rio de Janeiro, para torcer pelo Chile na partida contra a Espanha, hoje, a partir das 16h, no Maracanã. Mesmo que não consigam entradas para esse jogo, devem acompanhar a festa na rua. Da capital fluminense, os Fernández voltam para São Paulo, palco do duelo derradeiro da primeira fase, contra a Holanda, no Itaquerão.
O futuro do Chile na Copa também definirá o trajeto da família. Se a equipe se classificar ; provavelmente em segundo no Grupo B ;, os Fernández devem retornar à capital de Minas Gerais para as oitavas de final. Nesse caso, o adversário será o primeiro colocado do Grupo A, que tem Brasil, México, Camarões e Croácia. Caso os chilenos avancem no torneio, a família seguirá os conterrâneos. Caso contrário, traçarão novo roteiro para passar os últimos dias de férias no Brasil

Perigo na pista
Esta não é a primeira vez que os Fernández se aventuram pelo país. Antes, conheceram o Rio de Janeiro e Búzios, no litoral fluminense. Dizem que já estão familiarizados e aprovam ;o clima, as pessoas e as paisagens;. O ponto negativo é a insegurança para viajar de carro. ;O ruim é que as pessoas dirigem muito mal nas estradas;, reclama Tomás Fernandez, 24 anos.

Assunto também de mulher
Com quatro filhos homens no banco de trás, Ivonne adianta que não é nada fácil lidar com os rapazes. A todo momento, eles fazem ;bromas; com a mãe. Mas, em clima de Copa, ela nem liga para as brincadeiras. Passar um mês na estrada atrás de partidas de futebol pode parecer um tormento para muitas mulheres, mas é uma missão encarada com sorrisos por Ivonne.
Convivendo diariamente com cinco homens, futebol é assunto fácil para ela. ;Ela sabe bastante. Vemos futebol todo dia;, conta Tomás. Na lista de favoritos de Ivonne, tem espaço para dois jogadores, um chileno e outro brasileiro. Atuando pelo Chile, seu preferido é Alexis Sanchez, atacante do Barcelona. Já com a amarelinha, sobra carinho para o número 11, Oscar, meia do Chelsea. (AM)

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