Em campo, os livros!

Em campo, os livros!

» ADRIANA IZEL
postado em 18/06/2014 00:00
 (foto: Rochester University/Dviulgação)
(foto: Rochester University/Dviulgação)


A Seleção Brasileira, de nomes como Neymar, David Luiz e Fred, estreou na Copa do Mundo deste ano no último dia 12. Nessa mesma data, o compositor, cantor e escritor Chico Buarque de Hol
landa e a obra Budapeste foram convocados para representar o Brasil em outro mundial, a World Cup of Literature (Copa do Mundo da Literatura, em português).

A disputa reúne obras dos 32 países classificados para a competição de futebol. Os representantes de cada nação se enfrentam pelo site do projeto Three Percent da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos (www.rochester.edu/threepercent). A ideia do projeto, segundo Chad W. Post, organizador do evento e diretor da editora da universidade, é valorizar e trazer à tona o material literário dos países da Copa. ;O Three Percent é um projeto que faz referência a quantidade de traduções do mercado editorial norte-americano, o que mostra a escassez. Por isso, quando temos a oportunidade de celebrar a literatura de outros países, nós fazemos;, explica Post.

A escolha dos representantes foi feita com a ajuda dos leitores que puderam enviar sugestões. ;Recebemos mais do que esperávamos. Foi muito difícil estreitar até chegarmos aos 32 livros;, conta Chad W. Post. Por conta da massiva participação, ele estuda fazer uma copa no próximo ano, mas incluindo apenas livros escritos por mulheres.

Foram convocadas 24 pessoas ligadas ao mercado editorial, tradutores e leitores, para decidir quem vencerá. Elas mostram os pontos positivos de cada obra em uma espécie de resenha publicada no portal. Cada pró é computado como um gol. No caso de empate, o árbitro pode definir o critério de desempate. Os leitores também podem dar pitaco votando nas enquetes do site.

Assim como na Copa do Mundo, a estreia do Brasil foi com vitória. A obra Budapeste de Chico Buarque fez quatro gols em cima de Dark heart of the night, de Leonora Miano, segundo a análise de Jeffrey Zuckerman. A diferença, além da goleada, é que a Seleção Brasileira da literatura enfrentou Camarões, o adversário canarinho do dia 23. Para os supersticiosos, isso pode ser um bom sinal de que os brasileiros em campo também terão êxito.

Disputa

Já na segunda etapa da WCL, o Brasil ;joga; com o vencedor do embate entre Chile (By night in Chile, de Roberto Bolaño) e Holanda (The dinner, de Herman Koch).

As coincidências não param por aí. Inglaterra e Itália, que jogaram no último fim de semana, também tiveram um placar parecido nas duas Copas. Em campo, os italianos levaram a melhor por 2 a 1. Na disputa das obras, The days of abandonment, de Elena Ferrante, a artilheira da Itália, marcou 5 gols e eliminou NW, de Zadie Smith, representante da Inglaterra.

A maior zebra do Mundial futebolístico não se firmou na Copa dos livros. A Espanha, massacrada por 5 a 1 contra a Holanda, conseguiu vencer por 4 a 3. Contra a Austrália (Barley patch, de Gerald Murnane), Your face tomorrow, de Javier Marías, levou a melhor. As obras ficaram empatadas e quem decidiu foi o porquinho convocado pelo juiz Mauro Javier Cardenas. Como acontece em festas de são-joão, quando um coelho escolhe uma casa para dar um prêmio a um participante, os dois livros foram colocados em um cercado para o animal escolher. A decisão foi pela Espanha.

;Lavo minhas mãos, eu pensei que fosse conseguir julgar Marias x Murnane, mas vou deixar o resultado para outra pessoa;, escreveu na publicação do site.

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