Militares negam desvio de finalidade em DOIs

Militares negam desvio de finalidade em DOIs

RENATA MARIZ
postado em 19/06/2014 00:00
Em relatórios de sindicância enviados pelas Forças Armadas à Comissão Nacional da Verdade (CNV), Exército, Marinha e Aeronáutica afirmaram que não houve desvio de finalidade das sete instalações militares conhecidas como as mais temidas casas de tortura no período da ditadura. Sem mencionar episódios de abusos e mortes relatados pela CNV no pedido de investigação feito em fevereiro, as três Forças informaram que os imóveis foram usados com base na legislação vigente à época. A comissão deve pedir mais informações ao Ministério da Defesa por considerar insuficientes as respostas aos questionamentos.

Sobre os famosos Destacamentos de Operações de Informações (DOI), por exemplo, o Exército afirmou que foram criados para ;combater a subversão e o terrorismo; e acrescentou não haver ;qualquer registro de utilização para fins diferente do que lhes tenha sido atribuído;. As respostas da Marinha e da Aeronáutica seguem a mesma linha ; ora afirmando que não há provas de desvio de finalidade dos imóveis, ora negando, enfaticamente, que não houve violações de direitos humanos nos referidos locais.

No pedido de sindicância encaminhado pela CNV, há a menção de sete locais. Cinco deles eram comandados pelo Exército: três DOIs (no Recife, em São Paulo e no Rio de Janeiro), a 1; Companhia da Polícia da Vila Militar, no Rio; e o 12; Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte. Os outros dois são a Base Naval da Ilha das Flores e a Base Aérea do Galeão, ambos no Rio.

Secretário executivo da CNV, André Saboia afirmou que os membros e a assessoria técnica do órgão estudam o documento para divulgar uma nota. ;Recebemos na tarde de ontem (terça-feira). São vários pontos, algumas coisas bem técnicas. Mas a comissão vai se manifestar em breve, talvez amanhã (hoje);, afirmou Saboia. De acordo com ele, em alguns aspectos, as Forças Armadas vêm colaborando bem com a CNV.

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