Líbia critica ação dos EUA

Líbia critica ação dos EUA

postado em 19/06/2014 00:00
 (foto: Mahmud Turkia/AFP)
(foto: Mahmud Turkia/AFP)



No dia seguinte ao anúncio da captura em território líbio do suposto mentor do ataque ao consulado norte-americano de Benghazi, ocorrido em 11 de setembro de 2012, o governo do país acusou os Estados Unidos de violarem sua soberania ao realizar a operação. ;Nós não recebemos nenhuma notificação prévia. Nós não esperávamos que os EUA fossem perturbar a nossa cena política;, reagiu o ministro da Justiça, Saleh Al-Marghani. Em comunicado, o Ministério líbio das Relações Exteriores também condenou a ação das forças especiais americanas, classificada como um ;lamentável atentado contra a soberania; do país.

O ministro Al-Marghani defendeu que o extremista islâmico Ahmed Abu Khatallah seja entregue às autoridades líbias para ser julgado no país. Segundo ele, o suspeito vinha sendo procurado para interrogatório, mas a falta de segurança impediu que a captura se concretizasse. Em situações semelhantes, Washington costuma deixar os suspeitos a bordo de navios miliares antes de enviá-los para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações judiciais.

De acordo com o Pentágono, Khatallah, preso numa operação secreta no fim de semana passado, é uma figura-chave nos ataques contra as instalações diplomáticas americanas em Benghazi. A ação foi autorizada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que comentou a detenção de Khatalla durante uma visita a um centro de tecnologia em Pittsburg. ;Ele vai sentir o peso da Justiça;, enfatizou Obama ao falar da captura do extremista.

O ataque ao consulado americano em Benghazi, em 11 de setembro de 2012, deixou quatro americanos mortos, entre eles o embaixador Christopher Stevens. O episódio provocou uma tempestade política nos Estados Unidos, com a oposição republicana criticando o governo democrata de Obama, que na época estava em plena campanha pela reeleição. O Departamento de Estado teve que reconhecer falhas na segurança. Desde o atentado, a representação diplomática permanece fechada.

A Líbia, país norte-africano produtor de petróleo, enfrenta uma crônica desordem social. O governo e o parlamento, sediados em Trípoli, não têm sido capazes de controlar milícias, tribos e grupos islamitas que ajudaram a derrubar em 2011 o então líder do país, Muammar Kaddafi, mas agora desafiam a autoridade do Estado.

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