A alma de um negócio familiar

A alma de um negócio familiar

O corpo do empresário que idealizou e fundou a rede Runway, foi enterrado ontem no cemitério Campo da Esperança. Nascido no Rio Grande do Sul, ele chegou a Brasília em 1971, onde construiu uma trajetória de sucesso no ramo

ISA STACCIARINI
postado em 19/06/2014 00:00
 (foto: Reprodução/Facebook.)
(foto: Reprodução/Facebook.)




De office boy do Banco do Brasil a empresário de sucesso em Brasília. Carlos André Padilha da Costa, conhecido como André Padilha, era um dos donos e idealizador de uma das redes de academias mais tradicionais do Distrito Federal. Nascido em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Brasília aos cinco anos e aqui construiu uma trajetória de realizações. O mais velho entre quatro irmãos planejou e montou um negócio familiar que deu certo, voltado ao esporte e à saúde. Depois de duas décadas de trabalho, a Runway conquistou quatro filiais espalhadas pela capital. A mais antiga e tradicional é a localizada na 710/711 Norte. Depois, surgiram a do Sudoeste e a do Lago Norte.

A mais recente, inaugurada há dois anos, em Águas Claras, era a menina dos olhos de André e em poucos meses atraiu quase dois mil alunos. Nas palavras da mãe do empresário, dona Ione Padilha, 68 anos, o primogênito era a alma das academias e da família. Aos 47 anos, André Padilha morreu na última segunda-feira vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Fábio, 45 anos, um dos irmãos, conta que André fez há três meses todos os exames de rotina. As taxas estavam normais e apenas o colesterol precisou ser controlado. A morte repentina do diretor da Runway, um homem saudável e no auge da vida, deixou a família atordoada. ;Foi algo totalmente inesperado. Meu irmão não estava doente e trabalhou, inclusive, na segunda-feira. Todos fomos pegos de surpresa e a perda dói muito. Todos nós fizemos educação física a exemplo dele. Meus pais estão muito abalados;, disse Fábio ao Correio.

O corpo do empresário foi velado e sepultado ontem no Cemitério Campo da Esperança. O pai, Carlos Alberto Ferrari, 72 anos, e a mãe foram amparados por parentes. Cerca de 300 pessoas se despediram de André, entre amigos, familiares, frequentadores e funcionários das academias. Os filhos, de nove e seis anos, seguravam balões para o adeus ao pai.

O empresário estudou no antigo colégio Alvorada, no fim Asa Norte. Na adolescência, foi office boy do Banco do Brasil, instituição em que Ferrari trabalhava e o trouxe a Brasília, em 1971. Formado em Educação Física pela faculdade Dom Bosco, André convenceu o pai a montar a primeira academia Runway, há 20 anos. Já aposentado, Ferrari emprestou o dinheiro necessário para o filho. Até o nome do empreendimento foi André quem escolheu. ;Tudo era André que escolhia. Desde o nome, que é moderno, curto e relacionado com atividade física, até as definições do projeto. Era ele que determinava as coisas, o que seria usado e quais equipamentos seriam comprados;, explica Fábio Padilha, diretor-geral da rede.

As ideias surgiam com as viagens que André fazia ao exterior, como uma temporada que passou nos Estados Unidos e na Europa. Fábio diz que o irmão viajava para encontrar novidades arrojadas. Atualmente, as quatro unidades contam com 330 funcionários e mais de 10 mil alunos. ;O dia a dia eu que toco, mas André trazia as inovações, as novidades e o diferente. Ele queria o que ninguém tinha feito e o sucesso da academia é fruto do trabalho dele;, destaca.

Detalhista
O educador físico que trabalha na academia há 20 anos, Dari Luz, 50 anos, conta que em março foi realizada uma festa de confraternização para comemorar as duas décadas da rede Runway. ;André malhava e vivia nas academias. A profissão dele era cuidar da gestão e sempre tomava a frente de todos os negócios;, esclarece. O professor da academia da Asa Norte, Abílio Vieira, 45 anos, afirma que o diretor vistoriava constantemente todas as academias. ;Ele participava ativamente e tinha um planejamento detalhado de tudo;, explica.

Uma das funcionárias da academia da Asa Norte, Ana Carolina Mota, 23 anos, estava próxima de André começou a passar mal. A consultora de vendas conta que, por volta das 20h30 de segunda-feira, o diretor se exercitava em um dos aparelhos de ginástica quando caiu desacordado. ;André ainda pediu um desfibrilador cardíaco. Uma aluna médica tentou fazer os primeiros socorros e eu liguei para o convênio que nós temos com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel. Outros professores chamaram o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe ainda tentou reanimá-lo por uma hora e meia, mas a boca dele já estava roxa;, conta.

Segundo os familiares, André carregava para si a responsabilidade de tornar a rede de academia um espaço moderno. A perda interrompeu os planos do diretor da Runway. Nos últimos seis meses, ele trabalhava para inaugurar uma nova academia, de baixo custo para o cliente. O empreendimento iria contar apenas com musculação e ergometria. Ao mesmo tempo em que ele se empenhava no trabalho, André aproveitava o tempo com a família e os amigos. As saídas com os filhos do primeiro casamento eram as atividades prediletas do gaúcho. ;A paixão dele eram os dois meninos. Ele amava sair para o parque e ocupar a vida dele com os filhos. André também gostava de bons restaurantes e de malhar. Nos últimos três meses, ele perdeu dez quilos. Era um homem que estava se cuidando e adorava fazer isso;, ressalta Fábio Padilha.

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