Momento de estreitar laços familiares

Momento de estreitar laços familiares

Maíra Nunes Especial para o Correio
postado em 19/06/2014 00:00
 (foto: Maíra Nunes/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Maíra Nunes/Esp. CB/D.A Press )


No primeiro jogo da seleção grega na Copa do Mundo do Brasil, a família Karagiannis não estava reunida como de costume. O motivo era compreensível. Epaminondas Anakreon Karagiannis, 34 anos, e o primo Kostantinos Karagiannis, 36, encorparam o pequeno número de torcedores gregos em um mar amarelo de 40 mil colombianos que invadiu o Mineirão, no último sábado. Eles não são nascidos na Grécia, mas têm a nacionalidade herdada dos pais.

Mas, quando o assunto é seleção, são os laços com a nacionalidade dos pais que falam mais alto e os une diante da televisão em uma partida de futebol.

Antes de qualquer novo desafio da Grécia em campo, uma reza é feita para garantir boas vibrações para a equipe. O hino é o momento de maior emoção, principalmente para a mãe de Epaminondas, Eugênia Karagiannis, 67 anos, que costuma não conter as lágrimas. Ao longo do jogo, os costumes extravagantes de falar alto, tipicamente grego, são colocados em prática. Tudo regado a grandes vibrações e gritos de torcida nos momentos mais empolgantes do jogo.

Quando se trata de Copa do Mundo, o encontro fica ainda mais especial, já que é apenas a terceira participação da Grécia na competição. Para garantir o clima grego às reuniões, os primos espalham bandeiras do país pelo sofá, e as tias garantem a comida, com direito a tiropita (torta de queijo) e a spanakopta (torta de espinafre). Há ainda a bebida típica ouzo, que deve ser misturada com água antes de ser ingerida, já que se trata de um destilado de uva com essência de anis bastante forte.

Conscientes das limitações da equipe, os resultados ruins não são motivo de desânimo para eles. ;A emoção de torcermos juntos é muito legal. Na verdade, torcemos pelo inusitado;, conta Epaminondas. E o ;inusitado; mais comemorado pelos gregos amantes de futebol ocorreu em 2004, quando o país venceu a Eurocopa. ;Acompanhei toda a competição;, conta Epaminondas. E, naquela final ; guardada com frescor de detalhes na memória dele ;, todos os membros da família estavam reunidos no Lago Norte. ;Fomos até o Pontão do Lago Sul fazendo um buzinaço, com as bandeiras penduradas no carro;, conta.

Destino incerto
Diante de uma Grécia devastada, após a Segunda Guerra Mundial, a família do pai de Epaminondas, Anakreon Epaminondas, 74 anos, queria ir embora do país. Ao chegarem ao porto, tanto o navio que iria para a Austrália quanto o que iria para os Estados Unidos estavam lotados. Então, o pai dele, acompanhado dos irmãos e do avô pegaram a primeira embarcação que tinha lugar vago, e o destino era o Brasil.

Os hábitos gregos nunca deixaram de ser vivenciados pelos cinco primos da geração nascida no Brasil. Em casa, a conversa com os pais é toda realizada em grego. A cultura do país ainda permeia a música e as comidas da casa de cada membro da família. Os jogos da Grécia são apenas mais um motivo para exercer o patriotismo, que aparece estampado nas camisas, bandeiras e cantos, mesmo daqueles que não nasceram no país europeu.

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