Mochileiro de sapato social

Mochileiro de sapato social

Com a retirada do Fiat Mille, coube a este hatch a missão de substituí-lo. Depois da versão normal, chega a aventureira. Os atrativos são os mesmos, mas faltam pneus de uso misto

» Eduardo Aquino
postado em 19/06/2014 00:00
 (foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 23/5/14 )
(foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 23/5/14 )

O Uno Mille construiu uma carreira de sucesso no mercado brasileiro. Mesmo com quase 30 anos de existência, ele continuava figurando na lista dos mais vendidos, provando a maturidade e a atualidade de seu projeto. A saída de cena deixou muitos órfãos que a Fiat tenta de todas as formas acolher. Coube então ao Palio Fire a difícil missão de substituí-lo e assumir o posição de carro mais barato da marca italiana no Brasil. Faltava então uma versão aventureira para ocupar a lacuna deixada pelo Uno Mille Way. Dessa forma, surgiu o Palio Fire Way, que seguiu a mesma fórmula.

A versão aventureira está disponível apenas na carroceria com quatro portas. As diferenças de visual em relação ao Palio Fire convencional são: molduras nas caixas de roda, nova pintura cromada com contornos em preto brilhante na grade frontal, faróis com duplo refletor, máscara negra e canhões cromados; moldura dos faróis de neblina na cor preta, protetores na parte inferior dos para-choques dianteiro e traseiro, pintura exclusiva na cor cinza metálica nos retrovisores externos e nas novas calotas, revestimento externo nas colunas centrais na cor preta fosca e faixas adesivas nas laterais com a inscrição Way.

Para completar o pacote aventura, o comprador pode optar por rodas de liga de 14 polegadas com o nome da versão. O acabamento interno é de uma versão básica mesmo e não difere muito daquele encontrado no Palio Fire normal. Os plásticos são de qualidade inferior, e em alguns locais ficam rebarbas aparentes. O painel mistura dois tons de cinza: o claro está presente na parte central e em volta das saídas de ar, e o escuro no restante. A parte de baixo do painel central, as saídas de ar, as molduras do quadro de instrumentos, as maçanetas internas e os raios do volante fazem um contraste na cor preta.

Os bancos são revestidos em tecido na cor marrom, de desenho e toque agradável e compatível com o nosso clima tropical, sendo que os dianteiros trazem o nome da versão gravado no alto. Como todo o habitáculo, o quadro de instrumentos é bem simples, com velocímetro e conta-giros analógicos e marcadores dos níveis de combustível e de temperatura do motor digitais. Os dois primeiros são de fácil visualização, e os dois últimos, um pouco confusos.

Uma das virtudes do Palio é a boa posição de dirigir. O motorista consegue uma visão satisfatória do trânsito. Na Way, entretanto, o banco parece que ficou mais baixo e, como não há regulagem de altura, não tem como melhorar isso. E, sem ajustes da coluna de direção e a regulagem do encosto por meio de alavanca (o que não é nada prático), o motorista não encontra aquela posição, digamos, confortável.

O espaço interno é o mesmo e continua tratando bem somente quem senta nos bancos dianteiros. Quem viaja atrás sofre com a falta de espaço para as pernas, principalmente as pessoas de maior estatura. Conforto razoável somente para dois adultos de baixa estatura e uma criança no meio.

Além de espaço, no banco traseiro também faltam cinto de três pontos e apoio de cabeça para quem senta no meio. Por outro lado, existe pelo menos a opção de um sistema de áudio com MP3, rádio com RDS e entradas auxiliar e USB.




Na poeira
A principal alteração mecânica da versão Way foi feita na suspensão, que ganhou novas molas e amortecedores. Essa mudança, somada aos novos pneus 175/65 R14, de perfil mais alto, fez com que altura do solo aumentasse em 15mm em relação à versão Fire normal. E isso fez muita diferença ao trafegar por uma estrada de terra que não estava em boas condições, evitando que o fundo ficasse raspando no piso toda hora e dando muita agilidade ao Palio. Por outro lado, quando deparamos com uma lamazinha, fizeram muita falta pneus de uso misto. É como se você colocasse uma mochila nas costas para sair por aí e, em vez de tênis ou bota, calçasse um sapato social. Como se trata de uma opção para aventuras, a tomada de ar deveria ter uma telinha para proteger o radiador contra pedras e detritos. No mais, o Way vai bem naquele viagem ao interior e chega ;são e salvo; na fazenda.

A opção aventureira pesa apenas 17 quilos a mais que a normal. E isso não fez nenhuma diferença para o desempenho do motor 1.0, que também não chegou a ser afetado de forma significativa pelas alterações no câmbio: a segunda marcha ficou mais curta, a quinta mais longa, e o diferencial ganhou uma relação mais curta.

O Palio Fire Way não chega a ser um exemplo de carro econômico, mas seu consumo é bem razoável e combina com a proposta de um carro popular, tanto com etanol quanto com gasolina. A estabilidade piorou um pouco devido à altura mais elevada em relação ao solo e, consequentemente, do centro de gravidade. O conforto também é um pouco prejudicado pela transferência das irregularidades do piso para o interior.


Equipamentos

De série

Air bag duplo, freios ABS com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), banco traseiro rebatível, conta-giros, Fiat Code de segunda geração, vidros verdes climatizados, retrovisores externos com comando manual interno e relógio digital.

Opcionais
Travas e vidros dianteiros com comando elétrico, ar-condicionado, direção hidráulica, rodas em liga leve de 14 polegadas, faróis de neblina, rádio com CD player com MP3 e entradas auxiliar e USB e lavador, limpador e desembaçador do vidro traseiro.



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