Irmã do rei é processada por corrupção

Irmã do rei é processada por corrupção

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Albert Gea/Reuters - 8/2/14)
(foto: Albert Gea/Reuters - 8/2/14)



Menos de uma semana depois de Felipe VI ter assumido o trono espanhol, o escândalo de desvio de verbas públicas envolvendo sua irmã Cristina de Borbón, duquesa de Palma, voltou à tona. O juiz José Castro de Palma de Mallorca, responsável há três anos pela apuração do caso Noos, indiciou Cristina por lavagem de dinheiro e fraude fiscal e pediu a abertura de processo. Caso seja condenada, ela pode ser condenada a até 16 anos de prisão. A Casa Real limitou-se a expressar seu ;pleno respeito à independência do poder judicial;.

Segundo o jornal El País, a investigação já acumula 32 mil páginas de documentos e indica que a duquesa de Palma se beneficiou das atividades ilegais do marido, Iñaki Urdangarin, enquanto presidente do Instituto Noos (2003-2006), uma sociedade sem fins lucrativos. Indiciado por oito acusações, Urdangarin teria aproveitado a influência política ; como genro do então rei Juan Carlos I, que abdicou em favor de Felipe no início do mês ; para conseguir contratos públicos e desviar recursos. O lucro obtido com os negócios seria destinado à empresa Aizoon, na qual o casal detinha 50% das ações. ;Tudo indica que dona Cristina de Borbón y Grecia participou ativamente da organização e do orçamento desses eventos, que eram claramente de natureza pessoal;, afirmou Castro, nos autos.

O juiz manteve a imputação de 16 dos 32 suspeitos de envolvimento no caso Noos. Como prova da participação da duquesa no esquema, ele fez referências no processo a gastos particulares da duquesa, pagos com cartões de crédito da Aizoon. O advogado da duquesa, Miquel Roca, alega que ;não há fundamentos; para o indiciamento da cliente e pretende recorrer da decisão nas próximas semanas. O promotor anticorrupção de Palma, Pedro Horrach, também apresentará recurso, por acreditar que não existem provas contra Cristina. ;Ela foi indiciada por ser quem ela é;, declarou ao jornal espanhol ABC.

Isolamento
Felipe VI terá de lidar com os desdobramentos do possível julgamento da irmã ; que perdeu o titulo de infanta e deixou de pertencer à família real, com a abdicação do pai ; enquanto busca recuperar a desgastada popularidade da realeza. Desde o fim de 2011, Urdangarin e Cristina estão afastados das atividades oficiais da monarquia. Embora José Apezarena, biógrafo de Felipe VI, avalie que o caso traz ;algum dano ao rei;, Estevão Martins, professor de história contemporânea europeia da Universidade de Brasília (UnB), pondera que a estratégia de não esconder o incidente e isolar Cristina e Urdangarin das atividades reais diminui u os riscos de maiores desgastes durante o reinado.

Em meio aos parlamentares espanhóis, a decisão de Castro foi celebrada como uma vitória contra a impunidade. ;A Justiça começa a ser igual para todos, graças a magistrados como o juiz Castro;, declarou a jornalistas o líder da coalizão ecologista-comunista, Cayo Lara. A porta-voz socialista, Soraya Rodríguez, reiterou que ;todos somos iguais perante a lei;.

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