Calote bate 6,7%

Calote bate 6,7%

postado em 26/06/2014 00:00
O maior rigor dos bancos na liberação de crédito se deve, sobretudo, ao avanço do endividamento das famílias, que cresce sem parar desde 2005. Hoje, praticamente metade do salário do trabalhador (45,7% da renda disponível) está comprometido com o pagamento de dívidas. ;Nesse nível, qualquer sinal de piora do quadro econômico, com eventual aumento do desemprego, levaria o país a ameaça de uma nova onda de calotes;, disse o economista Miguel Oliveira, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Não é um cenário distante de imaginar. Em maio, a inadimplência avançou em praticamente todas as linhas de crédito pesquisadas pelo Banco Central (BC). Em média, o volume de dívidas não honradas ampliou 0,2 ponto percentual, chegando a 6,7% dos recursos livres às pessoas físicas. A pior situação é a dos consumidores com dívidas elevadas no cartão de crédito. Reféns de taxas de juros que podem chegar a ultrapassar os 600% ao ano, um número cada vez maior de pessoas não consegue honrar os compromissos assumidos. Em maio, a inadimplência nessa modalidade subiu de 22,9% para 23,9%.

A fatura elevada do cartão de crédito é um tormento que há mais de um ano incomoda a bancária Alannah Freitas Tobias, de 22 anos. Ela devia R$ 4 mil em dois cartões e, em 2013, não conseguiu pagar as faturas. Para fugir da inadimplência e dos juros que seriam cobrados caso atrasasse o pagamento, teve de recorrer à ajuda do pai. Depois disso, conseguiu pagar o que devia e reduziu gastos supérfluos. ;Antes, eu era compulsiva por compras, e cheguei a gastar cerca de R$ 12 mil em 2 meses. Após esse baque, diminuí bastante as compras e passei a me programar, mesmo que tenha voltado a ganhar um salário melhor. A gente só aprende assim, errando;, disse.

Drama semelhante viveu o vendedor Ítalo Venício Silva Machado, de 18 anos, que no mês passado, também foi obrigado a recorrer ao pai para quitar a fatura de R$ 4 mil. Precisou de R$ 800 para fechar a conta. ;Sempre tomo cuidado para não ficar devendo, porque é muito difícil sair da inadimplência.;

Conforto
Apesar das reclamações dos consumidores, o Banco Central considera ;confortáveis; os níveis de inadimplência no país. Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, em geral, o volume de calotes ainda se encontra em patamares ;relativamente baixos;.

Os juros do cheque especial, outro vilão dos consumidores, atingiram a marca de 168,50% ao ano, e a inadimplência nessa linha chegou a 9,6% em maio. Para os endividados que querem sair dessa situação, os altos juros são mais um obstáculo.

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