Meta de inflação fica em 4,5%

Meta de inflação fica em 4,5%

CMN confirma a taxa para 2015 e 2016, apesar de a carestia se manter próxima do limite de tolerância de 6,5% no governo Dilma

» ROSANA HESSEL
postado em 26/06/2014 00:00
O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve a meta de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2016 em 4,5% ao ano, com dois pontos percentuais de tolerância para cima ou para baixo, ou seja, com um teto de 6,5% e um piso de 2,5%. Desde o primeiro ano de governo, a presidente Dilma Rousseff não consegue manter a inflação próxima do centro da meta. Neste ano, de acordo com estimativas do mercado, o IPCA poderá romper o limite de 6,5%.

A decisão do CMN foi unânime. ;O regime de metas de inflação é uma estratégia de política monetária adotada por diversos países. Tem regras claras, de fácil compreensão por parte da sociedade. Tem capacidade de ancorar expectativas inflacionárias. É um regime monetário flexível permitindo acomodação de choques de oferta doméstica e externa;, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland. Ele assegurou que essa meta vem sendo cumprida ;rigorosamente; nos últimos 10 anos. ;Temos observado que a inflação do IPCA está sob controle dentro dos intervalos anunciados;, afirmou o secretário, citando a desaceleração do indicador registrada em maio e em junho. Entretanto, a taxa acumulada em 12 meses persiste próxima ao teto de 6,5%, e a mediana das expectativas do mercado para este ano, conforme o Boletim Focus, está em 6,46%.

;Essa medida convergiu com a expectativa do mercado. Não surpreendeu. Se o CMN aumentasse essa meta, estaria reconhecendo a incompetência do governo na gestão econômica do país;, avaliou o professor do Insper Otto Nogami. ;A meta é um balizador da economia como um todo. A inflação nada mais é que um termômetro que reflete a distância entre o desejo de consumir e a capacidade de produzir;, afirmou.

O acadêmico destacou ainda que o principal fator de essa inflação estar incomodando, apesar de se distanciar dos patamares de hiperinflação, foram as ações equivocadas do governo. ;O grande erro foi estimular o consumo, aumentando o crédito, sem estimular investimento para acompanhar esse aumento de demanda.;

O CMN também manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) em 5% ao ano para o segundo trimestre. ;As condições de risco se mantiveram;, disse. O conselho ainda elevou os juros dos financiamentos para grande e médios produtores agrícolas em regiões vítimas da seca, tanto para custeio quanto para investimento, e criou uma linha de crédito de até R$ 40 mil para inovações tecnológicas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste com encargos financeiros de 1% ao ano.


; Moody;s de
olho na eleição


Relatório da agência norte-americana de classificação de risco Moody;s afirmou ontem que a manutenção da atual nota do Brasil, Baa2, dependerá das atitudes do próximo governo. Para isso, a política econômica a partir de 2015 precisaria combater tendências econômicas negativas e impulsionar o crescimento do país para mais perto do seu potencial. ;Após ter reportado crescimento abaixo do potencial de 2011 a 2013, a economia continua tendo dificuldades devido ao declínio dos gastos com investimentos, à desaceleração do consumo e à piora do sentimento do investidor;, resumiu. Por essa razão, a agência reduziu a previsão de crescimento do PIB brasileiro este ano, de 1,8% para 1,3%, e para 2015, de 2% para 1,5%. Os especialistas da Moody;s sublinharam que as perspectivas estão presas a um ;círculo vicioso;, que o governo não pode quebrar este ciclo.


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