Imunoterapia também contra a tuberculose

Imunoterapia também contra a tuberculose

postado em 26/06/2014 00:00
As novidades em torno da imunoterapia não giram em torno apenas do câncer. Uma nova estratégia também apresentada na edição de hoje da revista científica Nature mostra a utilização do impulso ao sistema imunológico para o tratamento da tuberculose. O grupo liderado por Katrin Mayer-Barber, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, dos Estados Unidos, interferiu na ação de dois componentes do sistema imune de cobaias. Os autores acreditam que, se os resultados puderem ser traduzidos para humanos, a estratégia pode funcionar como uma opção ao tratamento convencional da tuberculose.

Um dos grandes desafios contra a doença transmitida pelo bacilo de Koch está na busca por uma alternativa terapêutica. O mal se transfere de uma pessoa para a outra pelas gotículas eliminadas durante a respiração, a tosse e os espirros. Uma faceta ainda desconhecida é que a infecção do organismo desencadeia respostas inflamatórias reguladas por proteínas chamadas citocinas. Uma delas, a interleucina-1 (IL-1), parece ter efeitos protetores, enquanto o excesso de outra, a interferon tipo I (IFN), está ligado à exacerbação da doença.

Os pesquisadores identificaram uma condição de equilíbrio entre os dois componentes nas cobaias criadas em laboratório como modelos da doença. A alteração desse balanço com o uso de medicamento já clinicamente aprovados foi capaz de aumentar a sobrevivência dos animais.

As duas citocinas encontram-se ligadas por meio de um mediador chamado prostaglandina E2 (PGE2). A IL-1 aumenta a produção de PGE2, que ajuda a conter o patógeno. Os cientistas dos Estados Unidos descobriram que uma quantidade excessiva de IFN aumenta a expressão da doença em camundongos. A correção terapêutica em busca do desequilíbrio da ação da IL-1 e da IFN melhoraria os sintomas e aumentaria a sobrevivência dos animais.

Além dos cientistas estrangeiros, o trabalho conta com a participação do pesquisador brasileiro Eduardo Amaral, ligado ao Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). (BS)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação