Invasão argentina rumo ao DF

Invasão argentina rumo ao DF

Os hermanos esbanjam confiança na classificação para as quartas de final, previstas para 5 de julho em Brasília. Assim como fez nos demais jogos, a torcida azul e branca deve tomar conta da capital caso passe das oitavas

» Roberta Pinheiro
postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Lucas Uebel/AFP)
(foto: Lucas Uebel/AFP)

Confiança é algo que sobra na torcida argentina. Se depender dos hermanos, a seleção deles não terá problemas para erguer a taça do Mundial após 28 anos. Além da esperança, às vezes confundida com soberba, a paixão pelo futebol e pelo time de Lionel Messi garantirá o bilhete de embarque dos argentinos para as quartas de final, previstas para 5 de julho, no Estádio Nacional de Brasília Mané Guarrincha. Mesmo antes da partida das oitavas, os vizinhos apostam alto na classificação.

No último jogo da Argentina na fase de grupos, realizada ontem no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, dos mais de 48 mil torcedores presentes, cerca de 30 mil eram argentinos que compraram os ingressos naquele país. Outros tantos ; estimativa de 70 mil ; estavam na capital gaúcha apenas para apoiar a seleção platina. Segundo informações da Fifa, a Argentina é o terceiro país que mais comprou ingressos para as partidas do Mundial. Perde apenas para Brasil e Estados Unidos. No total, são 62.509 bilhetes vendidos até o momento.

Depois de 40 horas de viagem de ônibus direto de Buenos Aires, o advogado Norberto Blanco, 27 anos, chegou ao Brasil no começo de junho para acompanhar a equipe e o ídolo Messi. Para ele, participar de uma Copa é um sonho realizado. ;Nunca a Seleção havia despertado tanta paixão em mim. Pelo menos, nunca com essa euforia. Ir ao estádio é uma mistura de adrenalina, patriotismo e emoção. A minha mãe fala que estou louco;, brincou.


O roteiro de Norberto foi programado com antecedência. Ele aproveitou as férias acumuladas no trabalho e, de acordo com ele, passou um ano comendo só arroz para economizar. Além do gasto com ingressos e hospedagens, ele reservou US$ 4 mil (cerca de R$ 9,2 mil) para os custos no Brasil. O objetivo é ficar até a final do Mundial e voltar para casa celebrando a vitória. Ele assistiu aos jogos no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Belo Horizonte. Agora, faz contagem regressiva para chegar à capital, mas admite a dificuldade. ;Temos rivais difíceis, como Brasil, Holanda, França e Alemanha, e dependemos muito do Messi;, ponderou.

Assim como Norberto, o gerente comercial Gonzalo Alejandro Cesar Pirotti, 39 anos, carrega adoração pela seleção de Messi. Ele veio para o Brasil com a família aos 4 anos para morar em São Paulo. Apesar de argentino e torcedor do Boca Junior, o pai dele tentou transformá-lo em são-paulino, mas não conseguiu. ;Decidi torcer pelo Boca. Quanto mais difícil é para acompanhar os jogos, mais fanático você fica;, explicou.

Gonzalo assistiu a jogos da Argentina no Rio e em Belo Horizonte. Conseguiu as entradas para as quartas de final com antecedência e tem tudo comprado para passar o fim de semana no DF. ;O fato de estarmos classificados para as oitavas e a sorte no sorteio dos jogos da primeira fase me dão tranquilidade;, afirmou. ;Não sei como ficará o meu grau de frustração (se a Argentina não passar das oitavas), mas acho que valeria a pena ir ao jogo (das quartas), mesmo depois de perder, por ser um jogo da Copa e pelas emoções do estádio;, comentou.

Pelé x Maradona
Nas cidades por onde passou, a seleção Argentina marcou presença em massa. ;No Beira Rio, eles ocuparam quase a metade do estádio;, contou o administrador gaúcho Sandro Massena, 37 anos, que presenciou ontem a vitória da Argentina sobre a Nigéria por 3 x 2. Segundo o torcedor do Internacional, os hermanos não perderam a oportunidade para provocar a torcida brasileira. ;Eles cantavam que o Maradona é melhor do que o Pelé, mas, quando respondíamos com o grito de pentacampeão, eles se calavam.;

Apesar da tranquilidade dentro e fora de campo, Sandro relatou que alguns argentinos arranjaram briga e confusão. ;Uma minoria insistia em ficar de pé na arquibancada e em jogar coisas nas pessoas. Havia discussão até entre eles;, afirmou. Apesar disso, ele reconheceu o apoio incondicional dos argentinos durante a partida. ;A maneira como eles torcem é muito diferente (do brasileiro). Se tomamos um gol, passamos por alguns minutos de velório. Eles não. É nesse momento que eles começam a cantar sem parar;, relatou. É isso que deve esperar o brasiliense, caso a Argentina avance de fase.




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