Brasília, próxima parada dos azuis

Brasília, próxima parada dos azuis

França confirma o primeiro lugar no Grupo E e jogará as oitavas de final no Mané Garrincha, na segunda-feira, contra a Nigéria. A torcida brasiliense tem argumentos para não torcer pelos Bleus, velhos carrascos da Seleção

Marcos Paulo Lima Enviado especial
postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Fabrice Coffrini/AFP)
(foto: Fabrice Coffrini/AFP)


Rio de Janeiro ; A torcida de Brasília terá a chance de atormentar a vida de quem tanto a fez sofrer. Algoz da Seleção Brasileira na decisão de 1998 e nas quartas de final de 1986 e de 2006, a França confirmou ontem, no Maracanã, o primeiro lugar do Grupo E e está de viagem marcada rumo à capital do país, onde enfrentará a Nigéria no mata-mata, na próxima segunda-feira, às 13h. Além de azucrinar a esquadra de Benzema, os candangos poderão agir como espiões de Luiz Felipe Scolari. Nas semifinais, os azuis podem cruzar o caminho dos pentacampeões no Mineirão, em Belo Horizonte. França e Nigéria se enfrentarão pela segunda vez na história ; a primeira em uma Copa do Mundo. Em 2 de junho de 2009, as Superáguias venceram um amistoso por 1 x 0, na cidade de Saint-Étienne.

Embalada pelo massacre por 5 x 2 sobre a Suíça, a França esbarrou na bela exibição do goleiro Domínguez. Titular da LDU no título de 2009 da Copa Sul-Americana em cima do Fluminense, no Maracanã, o goleiro viveu outra vez uma noite especial. Pena que a linha do Equador não honrou o esforço. La Tri deixou o gramado aos prantos. É a única seleção sul-americana eliminada na primeira fase. Argentina, Brasil, Colômbia, Chile e Uruguai avançaram. Enquanto os equatorianos davam adeus à Copa, os franceses entoavam a ameaçadora Marselhesa, o hino nacional que fez o Brasil tremer na pior derrota da amarelinha ; os 3 x 0 na final de 1998.

Ontem, a França mostrou um jeitinho brasileiro de jogar, com base nos avanços dos laterais. Didier Deschamps armou o time no 4-3-3, apostando em Sagna e Digne. Ambos chegavam à linha de fundo apoiados por dois pontas abertos ; Sissoko e Griezmann. Quando os laterais fechavam em diagonal, Pogba e Matuidi também evoluíam, dando opção ao ataque. A configuração só não foi interessante para Benzema. Isolado, o centroavante perdeu a chance de, no mínimo, alcançar Neymar e Messi na artilharia da Copa do Mundo. O matador francês estacionou nos três gols, contra quatro do brasileiro e do argentino.

Culpa, em parte, do heroico goleiro Domínguez, o melhor em campo. O primeiro lance perigoso da partida foi por acaso. Sagna cruzou da direita e Domínguez começou a mostrar que o dia era dele. O dono das traves impediu o gol com um tapinha para escanteio. O arqueiro voltou a fazer a diferença em uma cabeçada de Pogba, após cobrança de falta de Griezman. Na única oportunidade de Benzema, a muralha equatoriana fechou a meta para o camisa 10. Recuado, o Equador só assustou em uma finalização de Ener Valencia.

Cartão vermelho

No segundo tempo, a sorte e Domínguez continuaram protegendo a frágil defesa do Equador. Sagna alçou a bola na área, Griezmann desviou, o goleiro espalmou e contou com a ajuda da trave esquerda para salvá-lo. A pressão sobre os equatorianos aumentou quando Antonio Valencia cometeu falta grave em Digne. O árbitro marfinense Noumandiez Doue expulsou a principal peça de criação da seleção sul-americana sem mostrar sequer o amarelo.

Com um a mais em campo, Didier Deshamps deixou a França mais ofensiva ao trocar Matuidi pelo centroavante Giroud, mas foi Pogba quem voltou a desperdiçar a velha trama pelas laterais. Sissoko, aberto como um ponta, colocou a bola na cabeça do volante. Pogba caprichou demais ao tentar tirar a bola do alcance do goleiro Domínguez e mandou para fora.

Obrigado a vencer, o Equador foi para cima com uma tática suicida. Exposto aos contra-ataques, desperdiçou boas chances de vencer devido à má pontaria da comissão de frente. Na melhor oportunidade, Ibarra obrigou Lloris a trabalhar. O jogo fraquíssimo tecnicamente terminou com o merecido som das vaias no primeiro 0 x 0 no Maracanã.


FICHA TÉCNICA

Equador 0

Domínguez; Paredes, Guagua, Erazo e Ayovi; Minda, Noboa, Antonio Valencia e Montero (Ibarra); Arroyo (Achilier) e Ener Valencia
Técnico: Reinaldo Rueda (Colômbia)


França 0
Lloris; Sagna, Koscielny, Sakho (Varane) e Digne; Schneiderlin, Pogba e Matuidi (Giroud); Griezmann (Rémy), Benzema e Sissoko
Técnico: Didier Deschamps (França)

Cartão vermelho: Antonio Valencia
Público: 73.749 pagantes
Renda: não divulgada
Árbitro: Doue Noumandiez (Costa do Marfim)
Auxiliares: Yeo Songuifolo (Costa do Marfim) e Jean Claude Birumushahu (Costa do Marfim)


Quatro perguntas para

Christian Karembeu
campeão mundial com a França em 1998

O que espera do duelo com a Nigéria nas oitavas de final?
Um jogo duro. Nós tivemos problemas com o Senegal na Copa de 2002. Creio que Didier (Deschamps) se lembrará daquela partida nas conversas com eles.

Ribéry faz falta ao time ou a França está melhor sem ele?
Prefiro não falar sobre isso. O que eu posso dizer é que jogadores como Ribéry, Falcao Garcia, da Colômbia, e Reus, da Alemanha, por exemplo, fazem falta a qualquer time.

O que está achando da Copa?
Extraordinária. Os brasileiros gostam de gol e estão sendo recompensados. As seleções estão se arriscando, isso está nos surpreendendo.

Esta França é tão boa quanto a de 1998?
A atual tem o Didier (Deschamps, técnico), mas falta um Zidane, um Henry, um Blanc (risos).

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