Eli Wallach, ator, 98 anos

Eli Wallach, ator, 98 anos

postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Mark Ralson/AFP - 13/11/10)
(foto: Mark Ralson/AFP - 13/11/10)


Quando Blondie, Angel Eyes e Tuco alcançam o cemitério na cena final em Três homens em conflito, encontra-se o clímax e o fim da jornada do trio conhecido como O Bom (Clint Eastwood), o Mau, (Lee Van Cleef) e o Feio (Eli Wallach). O delírio causado pela disputa pelo ouro, em um dos principais filmes do subgênero western spaghetti, realizado nos anos 1960, pelo italiano Sergio Leone, virou objeto de adoração cinéfila e serve como síntese da carreira do ator, Eli Wallach, que morreu ontem, aos 98 anos, de causas não divulgadas.

Tuco, ou o Feio é até hoje o papel mais lembrado do ator, mas a extensa carreira em Hollywood permitiu a Wallach viver tantos diferentes personagens emblemáticos como O poderoso chefão (1990) e Sete homens e um destino (1960), ao lado de Steve McQueen e do novato Charles Bronson, em início de carreira. Na tela grande ou em televisivos, como a série do super-herói Batman, quando encarou o papel do arquiinimigo Mr Freeze, Walach fazia um vilão cômico.

Cavalos

Nascido e criado no Brooklyn, em Nova York, Wallach descendia de família judaica, mas aprendeu bem cedo a mimetizar as comunidades de italianos ou latinos com quem dividia a vizinhança. Graduou-se na Universidade do Texas, em Austin, quando aprendeu a arte da equitação, usada tantas vezes para domar cavalos em cenas de filmes. De volta a Nova York, seria um dos estudante do Método, criado no Actors Studio.

Em diversas ocasiões, Wallach dividiu a tela ou o palco com a esposa, a atriz Anne Jackson, a quem conheceu no começo de carreira quando debutou em textos da Broadway. Com ela, teve três filhos: Peter, Katherine e Roberta Wallach. Nonagenário, o ator continuou a trabalhar e nos últimos anos esteve em Wall Street: o dinheiro nunca dorme (2010), filme que marcou a volta do personagem Gordon Gekko (Michael Douglas) e participação em O escritor fantasma (2010), de Roman Polanski.

Entre as grandes injustiças cometidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Wallach nunca foi premiado por um papel específico ao longo da carreira de mais de 60 anos. Na tentativa de se fazer de justiça ao intérprete, ele foi agraciado com um Oscar honorário em 2010. O texto da premiação classificava o ator como ;a quintessência do camaleão; em galeria de personagens em que Wallach deixou ;uma marca pessoal incofundível;. No entanto, recebeu o Oscar inglês, um prêmio Bafta pela atuação em Boneca de carne (1956).




Adeus a Ana María Matute
A escritora espanhola Ana María Matute (1925-2014) morreu, ontem, em Barcelona. Conhecida por obras como Los soldados lloran de noche ou Olvidado rey Gudú, Ana María, de 88 anos, teve uma carreira premiada. Em 2010, ganhou das mãos do rei Juan Carlos (foto), o Miguel de Cervantes, considerado o Nobel das letras hispânicas. Ela estava finalizando um novo romance que seria lançado em setembro.

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