Na arena dos gladiadores

Na arena dos gladiadores

Nova geração do sedã médio japonês tem estilo mais atual, bom espaço interno e um excelente câmbio CVT, que proporciona conforto e economia. Briga no segmento é uma das mais rigorososas, o que exige boas armas

postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 20/5/14 )
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 20/5/14 )

O segmento dos sedãs médios no Brasil é como se fosse uma arena na qual é preciso matar um leão por dia para sobreviver, tamanho o nível de disputa. E esse ;campo de batalha; inclui um número considerável de bons ;gladiadores;, como Citro;n C4 Lounge, Chevrolet Cruze, Ford Focus, Honda Civic, Nissan Sentra, Peugeot 408, Renault Fluence e Volkswagen Jetta. Para se manter bem na ;briga;, é preciso ter boas armas, leia-se linhas atraentes, amplo espaço interno, pacote tecnológico atual, bons níveis de acabamento e equipamentos e preço competitivo. A nova geração do Toyota Corolla, que é produzida na fábrica de Indaiatuba (SP), seguiu a receita quase à risca, se esquecendo um pouco do preço, que é bem salgado.

EUROPEU
O modelo brasileiro é baseado no projeto europeu, seguindo dois conceitos definidos pela marca japonesa: Keen Lock, que reflete a nova identidade visual dos veículos Toyota; e Under Priority, que tem como característica o posicionamento mais baixo da grade frontal, para reduzir os danos a pedestres em caso de atropelamento. As novas linhas não são exatamente revolucionárias, mas representam uma grande evolução em relação à geração anterior, que era muito conservadora. Na frente, destacam-se os faróis de duplo refletor, que são ;tocados; pelas barras cromadas da grade; os vincos acentuados nas laterais do capô e a tomada de ar na cor preta. Detalhe importante: a frente tem boa altura em relação ao solo e não raspa com facilidade em entradas e saídas de rampa. De perfil, as rodas de liga na cor grafite dão um toque de elegância ao conjunto, enquanto o acabamento do painel de porta que fica aparente pelo vidro dianteiro parece gambiarra. A traseira também ficou bonita, com lanternas muito recortadas e unidas por uma barra cromada.


DIMENSÕES

A nova geração do Corolla cresceu ligeiramente em comprimento e largura, mas a principal alteração foi na distância entre-eixos, que foi determinante para que o sedã ganhasse mais espaço interno. Os passageiros do banco traseiro desfrutam de muito conforto para as pernas, mesmo aquelas pessoas de maior estatura. Por outro lado, quem senta no meio é incomodado pelo apoio de braço embutido no encosto do banco. O porta-malas tem capacidade para acomodar tranquilamente a bagagem de férias da família. Por outro lado, faltam rede para prender pequenos objetos, ganchos para fixar a carga e uma forração para o teto do compartimento de bagagens, que evitaria que os alto-falantes ficassem tão expostos. Num carro desse segmento e por esse preço, isso faz muita diferença.

INTERIOR
Se as linhas externas misturam bem esportividade com elegância, o habitáculo privilegia mais o sóbrio, principalmente no painel. Com desenho mais horizontalizado, ele é bem tradicional. O quadro tem instrumentos analógicos que são bem visíveis, assim como a pequena tela do computador de bordo, que fica no centro. O acabamento interno é bom, misturando as cores preta (presente nas partes superior e inferior do painel, na maior parte dos painéis de porta, no volante, no console central e no retrovisor) e cinza (no revestimento em couro dos bancos, no centro do painel, na parte de baixo do volante e nos puxadores de porta dianteiros). No centro do painel, o sistema multimídia (que tem tela de LCD, DVD, rádio, MP3, entradas auxiliar e USB) tem uma moldura em material imitando fibra de carbono. A Toyota trabalhou bem no isolamento acústico, e o novo Corolla é perceptivamente mais silencioso do que o anterior. A câmera de ré ajuda bem nas manobras de estacionamento, já que a visibilidade traseira é ruim..


NA DIREÇÃO
O motor 2.0 é praticamente o mesmo do modelo anterior. O ganho de 1cv quando abastecido com etanol em nada mudou o desempenho, capaz de agradar tanto ao tiozão que quiser fazer aquela viagem tranquila como ao jovem que quiser colocar um pouco de adrenalina na coisa. Mas o grande barato tecnológico dessa versão é mesmo o câmbio CVT, que torna a tarefa de dirigir bastante agradável. O motorista pode mudar as marchas por borboletas junto ao volante ou usar a tecla Sport para trocas em rotações mais altas. Ele também é fundamental para garantir um consumo bem razoável, levando em conta que se trata de um motor 2.0. A suspensão traseira merecia um multilink como a do concorrente direto Civic, para melhorar conforto e estabilidade. Por outro lado, a direção tem relação mais direta, o que deixa o Corolla gostoso de dirigir.

Lista de conforto
A lista de conforto deixa de fora ar-condicionado de duas zonas, sensor de chuva e até luzes de cortesia nos para-sóis; enquanto o pacote de segurança não contempla sensor de estacionamento nem dianteiro nem traseiro, controles de tração e estabilidade e acendimento automático dos faróis. Num carro de R$ 80 mil, tais itens não deveria faltar.



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