Brasil tem um 007 a serviço do hexa

Brasil tem um 007 a serviço do hexa

Agente secreto ajuda os espiões Alexandre Gallo e Roque Júnior a confeccionarem dossiê para o duelo contra a Colômbia. Possível rival na semifinal, a França também foi investigada

Marcos Paulo Lima Enviado especial
postado em 02/07/2014 00:00
 (foto: Paulo Galvão/Divulgação)
(foto: Paulo Galvão/Divulgação)


Rio de Janeiro ; Ele está sempre no Maracanã nos jogos da Copa do Mundo. Posicionado no meio dos jornalistas, passa praticamente despercebido. Os instrumentos de trabalho são simples e discretos: caneta, o desenho tático entregue pelos voluntários antes de cada partida, uma câmera fotográfica e a mochila na qual guarda as anotações. O James Bond do técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, desaparece no intervalo. No segundo tempo, costuma analisar o jogo em um outro ângulo do estádio. No apito final, entrega o serviço aos dois espiões oficiais de Felipão: o coordenador das divisões de base da CBF, Alexandre Gallo, e o pentacampeão mundial Roque Júnior.

Nos últimos dois jogos no Maracanã, o James Bond de Felipão se sentou próximo à bancada da reportagem. Reconhecido pela equipe do Correio, o agente nem tão secreto pediu anonimato com medo de ser destituído da função pelos chefes. Depois da súplica, continuou fazendo rabiscos e flechas com os deslocamentos da movimentação da França no empate por 0 x 0 com o Equador. No intervalo, elogios ao lateral-esquerdo da esquadra de Didier Deschamps antes de tomar o tradicional chá de sumiço. ;Muito bom esse camisa 17;, disse, referindo-se a Lucas Digne, garoto de 20 anos do Paris Saint-Germain. ;O sistema do Deschamps (técnico) é muito inteligente, moderno;, acrescentou, a caminho dos degraus do Maracanã.

No último sábado, lá estava o agente de Felipão novamente. Aliviado por ter o trabalho de free lancer assegurado ao menos até as quartas de final, graças aos pênaltis defendidos por Julio Cesar diante do Chile, ele anotou tudo sobre a Colômbia. James, o Bond, registrou tudo sobre James, o Rodríguez, artilheiro isolado da Copa, com cinco gols.

Questionado sobre o que achou da exibição do autor dos dois gols da vitória diante do Uruguai, não economizou elogios ao camisa 10 e falou em nome do treinador da Seleção Brasileira. ;É um excelente jogador, mas o Felipão não vai deixá-lo jogar solto como fez o (Óscar) Tabárez;, riu. ;Os laterais deles também são muito bons, como os nossos, tanto o Zúñiga pela direita quanto o Armero na esquerda;, avaliou.

Indiscreto

A falta de discrição dos espiões de Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira não é novidade na Copa do Mundo. Na conquista do pentacampeonato, em 2002, o ex-treinador Gilson Nunes passou vexame ao tentar bisbilhotar o adversário da estreia. ;Fui ver o treinamento da Turquia como observador e me juntei à imprensa, mas um assistente turco me reconheceu. Foi criado um constrangimento com a minha presença, mas permaneci no local. Alteraram a atividade. Trocaram um trabalho tático por um técnico. Mas nós sabíamos que eles também observavam nossos treinos;, contou Gilson Nunes, depois do incidente.

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