Esclerose tem novo remédio

Esclerose tem novo remédio

A partir de agora, o Sistema Único de Saúde oferece uma opção via oral e menos invasiva para o tratamento de pacientes com a doença. Inclusão era antiga reivindicação de médicos e entidades ligadas ao tema, pois o tratamento tem menos efeitos colaterais

ANA POMPEU
postado em 02/07/2014 00:00
Os pacientes de esclerose múltipla têm, a partir de agora, mais uma opção de tratamento ; a primeira de uso oral e não injetável. Portaria do Ministério da Saúde publicada ontem no Diário Oficial da União incorpora o fingolimode à lista oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até então, a rede pública oferecia três medicamentos. A fórmula já tem a comercialização autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a inclusão no SUS era reivindicada por médicos, pacientes e entidades interessadas no tema, por considerarem a substância menos invasiva, com menos efeitos colaterais e maior eficiência na redução da frequência de surtos.

A economista Thaciana Helena Mendes Pereira, 27 anos, faz uso do medicamento há um ano. ;Meu neurologista disse que seria a melhor opção. Entrei na Justiça e consegui por meio de liminar;, conta. Ela recebeu o diagnóstico em julho de 2010 e, desde então, já se tratou com outras substâncias. ;Hoje, sou mais disposta. Acordo às 6h, vou para a academia, para o trabalho, volto, estudo. Com as outras tinha mais fadiga;, compara.

Outra vantagem é a redução dos efeitos colaterais. Thaciana aplicava injeções semanalmente. A cada vez, tinha sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, dores de cabeça, indisposição. ;Sem contar a logística. O outro tem que ficar gelado. Se você vai viajar, tem que levar uma declaração que faz uso de medicamento com seringa. O comprimido você leva na bolsa e pronto;, diz. O neurologista André Matta, professor e responsável pelo Setor de Neuroimunologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que a sensação de melhora da qualidade de vida não é privilégio só de Thaciana.

;Esta é uma medicação inovadora no tratamento da forma mais comum de esclerose, que acomete em torno de 85% dos pacientes. Não temos estatísticas no Brasil, mas, lá for a, o número de desistência nos primeiros dois anos de tratamento alcança de 30% a 40% dos pacientes por causa dos efeitos;, diz Matta. Além disso, o fingolimode tem efeito sobre a progressão da doença. De acordo com o neurologista, ele protege o cérebro da atrofia, característica não encontrada de forma tão evidente em outros.

O professor esclarece, no entanto, que a primeira dose deve ser feita sob supervisão médica. ;Ele pode provocar uma redução da frequência dos batimentos cardíacos. Nas doses subsequentes, esse efeito não aparece, pois há uma adaptação do organismo. Pacientes com doenças cardíacas graves não devem usar a medicação;, ressalta André Matta.

Homicídios atingem jovens
O Mapa da Violência 2014 ; Jovens do Brasil, divulgado ontem pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos e pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, aponta que a taxa de homicídios no país, entre pessoas dos 15 aos 29 anos, é de 57,6 mortes por 100 mil habitantes, enquanto que o índice no restante da população fica em 18,5. Segundo o estudo, 46 mil pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito em 2012. Além disso, o estudo revelou a taxa de suicídios no Brasil, de 5,3 por 100 mil habitantes. ;É um problema de saúde pública que precisa ser encarado como tal, e não como um tabu;, defende Julio Jacobo, autor do Mapa.

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