Lojas lucram com o Mundial

Lojas lucram com o Mundial

Bares, restaurantes, estabelecimentos de material esportivo só têm a comemorar com o torneio. No ramo da alimentação, o incremento chega a 30%. As vendas de camisetas das seleções chegam a 90% em alguns pontos

» MANOELA ALCÂNTARA
postado em 02/07/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Enquanto alguns comerciantes brasilienses comemoram as vendas estimuladas pela Copa do Mundo, outros amargam prejuízos. A vitória nas vendas fica por conta dos lojistas instalados na rota do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha e nas proximidades dos hotéis. A derrota ocorre entre aqueles afastados do roteiro turístico. Os restaurantes no caminho dos visitantes, por exemplo, tiveram um incremento de 30% nas vendas. Longe da arena, a queda nos pedidos de pratos foi de 20%, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel).

No setor de varejo, o panorama global não é muito animador. As áreas de material de construção, roupas e tecidos não se beneficiaram com o Mundial. No segmento de material esportivo, as vendas estão aceleradas. Faltam camisas femininas do Brasil e de outras seleções. As camisetas da Alemanha e dos times africanos são raridades. ;Muita gente queria a camisa de Gana. Não esperávamos tantos pedidos. As infantis do Brasil também estão em falta. Desde quando a Copa começou, as vendas aumentaram 90%;, afirma o vendedor de um shopping da Asa Norte, Geordânio de Souza, 33 anos.

Segundo ele, os estrangeiros são os que mais compram. O médico norte-americano Mark Sanders, 39 anos, chegou ao Brasil há 10 dias. Ele passou pelo Rio de Janeiro e veio duas vezes à capital para assistir às partidas entre Portugal e Gana e entre França e Nigéria. Com outros quatro amigos, ele afirma ser difícil não levar nada para casa. Em uma loja de materiais esportivos, cada um garantiu os presentes para alguém da família. ;Não podemos chegar em casa sem nada. Meu filho adora futebol. Aqui, a camisa do Brasil é mais cara do que nos Estados Unidos. Dá uma diferença de US$ 40, mas é Copa do Mundo, estou no Brasil e vamos levar;, afirma.


Falta inglês
Mark diz que já gastou R$ 5 mil entre alimentação, hospedagem e compra de lembranças. Para ele, a maior dificuldade no comércio é a comunicação. ;As pessoas não falam inglês. É difícil comprar assim. Acho que faltou um pouco de preparação;, lamenta. Mesmo assim, em um levantamento geral, o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) estima que houve acréscimo no volume de vendas entre 12% e 15%, se comparado com o mesmo período do ano passado, entre maio e junho. O mesmo percentual vale para os eletrônicos. Com a Copa, as vendas de televisores cresceram em todo o DF.

No setor esportivo, o acréscimo vale para todo o DF. Com a classificação do Brasil para as quartas de final, as camisas da Seleção Canarinho desaparecem das vitrines. Em um shopping de Taguatinga, uma loja de artigos esportivos vendeu quase todo o estoque. Até o fim da tarde de ontem, apenas uma camisa do Brasil, tamanho GG, estava na vitrine. Mais de 30 unidades, de ambos os sexos, foram colocadas à venda. O gerente Gledson Santiago Vieira esperava vender a camiseta GG para repor o estoque.

Pelo menos três grandes shoppings estão na rota dos turistas que chegam à capital para ver os jogos da Copa do Mundo. Eles mantêm as praças de alimentação abertas e são opções para quem deseja consumir algo antes ou após as partidas. Um dos centros de compras, na Asa Norte, investiu em telão e no conforto para os turistas. Os resultados foram positivos. Em dias de jogos em Brasília, o fluxo de pessoas dobra e as vendas aumentam 40%. Na alimentação, o consumo é o dobro dos dias convencionais.

A menos de 2km do estádio, desde o início da Copa, os proprietários de boxes na Feira da Torre de TV aumentaram os lucros. Point oficial dos torcedores, só na Praça de Alimentação o incremento chega a 1.000%. Nas partidas realizadas na cidade, chega a faltar cerveja em alguns restaurantes. Os proprietários se prepararam, aumentaram o estoque, mas não conseguiram suprir a demanda.

O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, prevê ainda que a chegada dos argentinos, classificados para as quartas de final, a Brasília deve aquecer ainda mais o comércio. ;Acredito que 70 mil argentinos venham à capital, e onde tem gente, naturalmente, tem comércio. Terá venda de churrasquinhos, cerveja, aumento na hospedagem. Não tenho dúvidas dos resultados positivos;, garante. Ele confirma a reclamação de alguns setores, mas pondera: ;O melhor disso tudo é a imagem que ficará da cidade para os estrangeiros. Seremos um roteiro turístico e isso movimentará a economia;, completa.

Comércio discute hoje funcionamento

Patrões e empregados do comércio varejistas voltam, às 16h de hoje, à mesa de negociação para definir como será o atendimento aos consumidores pelas lojas de rua e de shopping, na sexta-feira, quando a Seleção Brasileira enfrentará a da Colômbia, às 17h, em Fortaleza, pelas quartas de final da Copa do Mundo. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson Castro, defende a reabertura dos estabelecimentos após o fim do jogo, como ocorreu no último sábado, quando o Brasil enfrentou o Chile, no Mineirão (MG). Segundo ele, as lojas de shopping receberam mais de 80 mil pessoas. ;Isso mostra o acerto da decisão dos dois sindicatos, afinal tem milhares de turistas em Brasília, e o comércio deve funcionar, gerando empregos e renda;, afirmou o empresário. Ele adiantou que os comerciantes deverão ser consultados por e-mail e telefone sobre o melhor horário de funcionamento na sexta-feira.





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