A Copa vai ao divã

A Copa vai ao divã

Choro durante o hino, mordida no rival e temor (ou não) de seleções pequenas diante das grandes expressam o nível de ansiedade no Mundial. Psicólogos avaliam até que ponto o aspecto mental pode influenciar no rendimento e quando é hora de pisar no freio das emoções

THAÍS CUNHA DIEGO AMORIM
postado em 02/07/2014 00:00
 (foto: Fabrice Coffrini/AFP - 28/6/14
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(foto: Fabrice Coffrini/AFP - 28/6/14 )


A Argentina penou ontem para despachar a Suíça. No apito final do árbitro, os hermanos não esconderam a emoção pela classificação sofrida, na prorrogação. A reação dos nossos vizinhos, no entanto, em nada lembrou o chororô protagonizado pela Seleção Brasileira quando superou o Chile no Mineirão e também avançou às quartas de final.

As lágrimas de jogadores, como David Luiz, Neymar e Julio Cesar, embalaram a torcida em um dos momentos marcantes do Mundial, mas também geraram críticas ao comportamento da Família Scolari diante de uma situação de estresse. ;O atleta deve investir para jogar o seu melhor. Um jogador chorando não ganha partida nenhuma;, critica Luís Orione, psicólogo do Corinthians.

Na opinião do também psicólogo Geison Izidro, é preciso chamar os atletas individualmente para que falem sobre suas emoções e revejam a postura diante do time.

Ele lembra, no entanto, que existe um peso extra sobre a Seleção por atuar em casa. ;Uma coisa é imaginar, outra é viver. Não é fácil, de fato. Para quem está dentro de campo nessas circunstâncias, não é fácil;, diz. ;Especialmente porque o futebol tem um valor muito importante para o nosso país, do ponto de vista cultural mesmo.;

As lágrimas, no entanto, não são as únicas reações que servem como objeto de estudo da psicologia esportiva. Comportamentos agressivos, que beiram o inexplicável ; como o de Suárez, na mordida em Chiellini, na partida Uruguai x Itália; ou a cabeçada do francês Zidane no italiano Materazzi, na final de 2006 ;, também poderiam ser evitados com um trabalho mental prévio em todas as seleções.

Especialistas em preparação psicológica de atletas ainda divergem sobre vários assuntos e têm métodos próprios para que a emoção do Hino Nacional, por exemplo, não atrapalhe o desempenho em campo. O que importa, na visão deles, é saber dosar a ansiedade para garantir boas partidas. Confira a opinião dos profissionais:

Psicóloga na Granja
Para tentar recuperar o lado mental da Seleção Brasileira depois do abalo emocional demonstrado na partida contra o Chile, a psicóloga Regina Brandão voltou ontem à Granja Comary. Ela já havia estado no local antes da estreia no Mundial e jura que o retorno foi para dar continuidade ao trabalho. ;A visita de hoje (ontem) faz parte de nosso planejamento inicial. Como estava dando aulas na universidade, tinha de ficar indo e voltando. Como entrei de férias na sexta-feira, vim agora e volto na semana que vem;, disse, em entrevista à CBFTV. Mesmo a distância, Brandão acompanhou tudo que ocorreu com os atletas desde a estreia. ;O trabalho é constante, acompanho o dia a dia, falo com o jogador por telefone, WhatsApp, e-mail. Estou ligada neles o tempo todo.;

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