Fagner inédito

Fagner inédito

postado em 02/07/2014 00:00
; Irlam Rocha Lima

Raimundo Fagner não tem dúvida. ;Por sua dimensão continental, pelas características das diferentes regiões, pela forma como estamos acolhendo os visitantes e pelo clima de alegria e confraternização que reina durante a Copa, o Brasil vai projetar para o mundo uma imagem altamente positiva. Isso, com certeza, trará muitos dividendos para o país.;
O cantor e compositor cearense joga no time dos que veem a competição organizada aqui pela Fifa como ;a Copa das copas;. Embora a Seleção Brasileira não esteja apresentando boas atuações, acredito que Neymar e companhia, ao vencerem o Chile nos pênaltis, se credenciaram para chegar às finais. Na sexta-feira ele vai à Arena Castelão, em Fortaleza, para torcer por uma vitória contra a Colômbia, pelas quartas de final.
A relação de Fagner com o futebol é antiga e constante. Torcedor do Fortaleza e do Fluminense, assim que chegou ao Rio de Janeiro, no começo da década de 1970, dividiu apartamento, no bairro de Botafogo, com Afonsinho, ex-craque do alvinegro carioca. Com ele e Ney Conceição (outro ex-jogador botafoguense) integrou o Trem da Alegria, ao lado de Paulinho da Viola, Moraes Moreira e Gonzaguinha; e atuou na equipe do selo Ariola, da gravadora Philips. Tempos depois, durante 10 anos, jogou ao lado de Chico Buarque no Politheama; e atualmente bate bola com Zico no CFZ.
Sem lançar um disco de inéditas desde 2009, Fagner acaba de desembarcar no mercado com Pássaros urbanos, o 38; álbum de carreira, com o qual comemora 40 anos de estrada. A produção é de Michael Sullivan (autor de Deslizes, um dos maiores sucessos do cantor), que emplacou duas músicas nesse trabalho: Arranha céu e Tanto faz, que tem Fausto Nilo e Anayale Lima, respectivamente, como parceiros.

Sonoridade

Num CD no qual o romantismo fala mais alto, e em que a sonoridade contemporânea dá o tom; o cantor surpreende ao interpretar as canções de forma suave. Fausto, amigo de longas datas, é quem tem presença maior nos créditos do repertório, ao assinar nada menos que quatro letras ; a da faixa que dá título ao projeto, musicada por Cristiano Pinho; Versos ardentes e Balada fingida, com melodias de Fagner; além da citada Arranha céu. O bardo de Orós em nova tabela com o maranhense Zeca Baleiro fizeram Samba nordestino, outra das oito inéditas ; ao lado de Doce viola, de Jaime Alem.
;Comecei a gravar o disco em Fortaleza. No Rio, mostrei ao Michael Sullivan, com quem trabalhei bastante, na década de 1980, as músicas que havia feito com Fausto e ele se entusiasmou e propôs produzir o disco. Além disso, compôs o tema de Arranha céu e pediu que eu entregasse a Fausto para ele colocar letra;, conta Fagner. ;Foi do Michael, também, a escolha de Se o amor vier, que compus com Clodo Ferreira, para abrir o repertório. Ele ouviu a canção várias vezes, se emocionou tanto que foi às lágrimas.;
Quanto à regravação de Paralelas (Belchior, seu parceiro no clássico Mucuripe), Fagner justifica. ;Sempre gostei muito dessa música e costumo cantá-la em shows. Depois de interpretá-la, numa versão de voz e violão, em programa da rádio Nativa, de São Paulo, foi criado um arranjo em cima, e a canção passou a tocar bastante. Aí resolvi gravá-la, até para homenagear o Bel, meu velho parceiro.;
Fagner fez ainda a releitura de No Ceará é assim (Carlos Barroso), que é uma espécie de hino não oficial daquele estado, que nos versos iniciais diz: ;Eu só queria/ Que você fosse um dia/ Ver as praias bonitas do meu Ceará/Tenho certeza/ Que você gostaria/ Dos mares bravios/ Das praias de lá;;. Nada mais natural para um cearense autêntico que, embora radicado há quatro décadas no Rio, mantém forte ligação com sua origem nordestina.

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Ouça Se o amor vier.

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