Banco dos Brics abrirá com capital de US$ 50 bilhões

Banco dos Brics abrirá com capital de US$ 50 bilhões

Criação de banco e de fundo de reservas servirá de contraponto ao modelo dominado por EUA e Europa

postado em 12/07/2014 00:00
 (foto: Rogan Ward/Reuters - 27/3/13)
(foto: Rogan Ward/Reuters - 27/3/13)

Os líderes dos Brics ; Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ; se reunirão na semana que vem para lançar um banco de desenvolvimento e um fundo de reservas emergenciais, no mais ousado desafio ao multilateralismo ocidental que tem moldado as finanças globais desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A previsão é de que as novas instituições sejam aprovadas já no encontro de cúpula de terça-feira. Depois de dois anos de negociações, está acertado que o capital inicial do banco será de US$ 50 bilhões, divididos igualmente por cada país-membro. Com a criação do banco e do fundo, os Brics buscam conseguir aumentar a influência global do grupo, oferecendo aos países em desenvolvimento financiamento alternativo ao do Banco Mundial e ao do Fundo Monetário Internacional (FMI), há tempos dominados pelos Estados Unidos e pela Europa.

Para o economista Charles Collyns, do Institute of International Finance, há uma simbologia importante a ser levada em conta na criação do banco: ;sinaliza a insatisfação dos Brics com sua posição no palco econômico global;, disse. O instituto representa os principais bancos privados e instituições financeiras do mundo. ;O fato de que eles conseguem se juntar e acertar a implementação dessas instituições é um símbolo importante de sua crescente importância;, acrescentou.

A instituição será chamada Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), deixando a porta aberta para outros países emergentes como Turquia, México, Indonésia e Nigéria se juntarem como sócios no futuro. Muitas das regras operacionais, como investimento futuro em projetos privados, serão decididas após sua criação formal na cúpula da semana que vem em Fortaleza. O banco deve fazer seu primeiro empréstimo em 2016.

Definições

No encontro, os líderes dos Brics decidirão que país controlará a primeira presidência de cinco anos do banco e se ele será sediado em Nova Délhi ou em Xangai. O grupo também vai criar um fundo de reservas de contingência de US$ 100 bilhões, que pode começar as operações até 2015 para ajudar qualquer um de seus membros, se eles forem atingidos por uma fuga súbita de capitais.

Os Brics estão à frente do crescente coro de países emergentes e desenvolvidos que se queixam de que o FMI e o Banco Mundial impõem políticas de austeridade sobre eles em troca de empréstimos, sem oferecer grande poder de decisão sobre os termos.

O NBD e o fundo de reservas vêm em resposta a tentativas malsucedidas de aumentar a influência desses países no FMI. O poder de voto dos Brics no FMI não reflete a tremenda ascensão da economia dos países-membros, que agora respondem por quase um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) global e sustentam 40% da população do mundo.

Embora os Brics continuem crescendo em ritmo maior do que a maioria dos países desenvolvidos, suas economias desaceleraram fortemente nos últimos anos. Alguns temem que o recuo possa prejudicar sua influência no sistema financeiro global, mesmo se continuarem sendo o motor do crescimento mundial. ;O peso dos Brics no palco global está bastante ligado à sua performance econômica;, disse o diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (CINDES), Pedro da Motta Veiga.

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