Dinheiro escasso

Dinheiro escasso

postado em 12/07/2014 00:00
O país vive um momento de escassez de crédito e de capital de giro para o setor produtivo, o que está afetando os investimentos e prejudicando o funcionamento da economia, segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. ;Isso é algo que nos preocupa, mas estamos buscando soluções;, disse ele, pouco antes de participar um encontro na Câmara de Comércio e Indústria Japonesa no Brasil, em São Paulo. ;Estamos vivendo um momento mais difícil. É um problema específico que está atingindo os investimentos;, acrescentou.

De acordo com Coutinho, embora haja uma série de iniciativas em andamento com potencial para aumentar a demanda de máquinas e equipamentos, os investimentos estão sendo limitados pelo crédito caro e escasso. ;A execução de projetos de infraestrutura, as concessões de obras púbicas para a iniciativa privada e os investimentos em petróleo e gás contribuem para ativar os negócios;, disse, acrescentando, porém, que as condições de financiamento bancário agem em sentido oposto.

O dirigente disse que o governo está procurando agir para desafogar os investimentos e estuda medidas de incentivo para estimular a renovação do parque industrial brasileiro. Ele não quis, porém, antecipar o que pode ser feito, já que as decisões não dependem apenas da instituição. ;É uma iniciativa que tem várias esferas envolvidas, não só o BNDES;, alegou.

Desconfiança
Um dos principais fatores que contribuem para conter o crescimento da economia, a falta de ânimo dos empresários para investir e ampliar os negócios decorre também da desconfiança do setor produtivo na condução da política econômica do governo. Em junho, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), sofreu nova queda e atingiu a marca de 47,5 pontos. Foi o nível mais baixo desde janeiro de 2009. De acordo com a metodologia adotada pela CNI, marcações abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança.

Com a inflação mantendo-se persistentemente ao redor do teto da meta, o que leva o BC a manter os juros em patamar elevado, a tendência é que as expectativas continuem desfavoráveis. De acordo com os analistas do mercado financeiro consultados semanalmente pelo Banco Central, a economia brasileira deve crescer apenas 1,07% neste ano. Para 2015, a projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) é de apenas 1,5%.

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