Aliados discutem a crise em Viena

Aliados discutem a crise em Viena

Chefe da diplomacia alemã encontra o colega americano para ouvir explicações sobre a prisão de agentes duplos recrutados pela CIA

postado em 12/07/2014 00:00
 (foto: Soeren Stache/AFP)
(foto: Soeren Stache/AFP)



O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, deve se reunir hoje com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para discutir a crise deflagrada pela descoberta de que os Estados Unidos teriam recrutado dois alemães como agentes duplos para espionar o governo de Berlim. Ontem, um dia após o anúncio da expulsão do chefe dos serviços secretos americanos na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que a represália ;era inevitável;. Apesar de ambos os lados destacarem a importância das relações bilaterais, as novas denúncias ameaçam esfriar a amizade, arranhada desde o ano passado pela revelação de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA monitorou por quase uma década o telefone celular da chanceler (chefe de governo) Angela Merkel.

Steinmeier e Kerry estarão em Viena para avaliar com os colegas de França, Reino Unido, Rússia e China o progresso das negociações sobre o programa nuclear do Irã. O governo de Barack Obama, que havia se comprometido a trabalhar com Berlim para esclarecer o mal-estar gerado pelas denúncias de espionagem, evitou comentar a expulsão do chefe da CIA na Alemanha. O silêncio de Washington parece indicar que não será adotada uma medida recíproca. O episódio marca o pior momento das relações bilaterais desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, superando as divergências públicas sobre a invasão americana ao Iraque, em 2003, à qual se opôs o então chanceler, Gerhard Schr;der.

;A decisão de pedir ao representante da inteligência dos EUA que deixe a Alemanha é a medida certa, um passo necessário e uma reação justa à quebra de confiança que aconteceu;, declarou Steinmeier à imprensa alemã, ainda em Berlim. Ele adiantou que transmitirá a Kerry a disposição de Berlim de ;reativar; a parceria com base na confiança mútua. ;Apesar dos acontecimentos das últimas semanas, que são preocupantes, nossa aliança com os EUA é indispensável;, justificou.

Parceria estratégica
Desde o ano passado, quando o ex-agente da NSA Edward Snowden revelou que o celular da chanceler era monitorado pelos EUA, os dois governos se esforçam para que a parceria estratégica entre as potências não seja comprometida. ;Sem os americanos, não podemos fazer nada;, argumentou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Sch;uble, citado pela agência Reuters.

Entre outros pontos, as negociações para um acordo comercial entre União Europeia e EUA estão no topo da lista de prioridades de Merkel ; que, apesar da espionagem, não abre mão de avançar com o projeto. ;A amizade entre a Alemanha e os EUA é muito maior e mais profunda do que a estreita área de cooperação entre nossos sistemas de inteligência;, disse o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert, durante entrevista coletiva. ;Isso vale para os americanos na mesma medida que para os alemães e os europeus;, concluiu Seibert.

A imprensa alemã criticou duramente a ação americana e reforçou o apoio à chefe de governo, campeã de popularidade desde que assumiu o cargo, em 2005. ;Merkel não é o cachorrinho de Obama;, afirmou o jornal Frankfurter Allgemeine, elogiando a expulsão do representante da CIA. Trata-se de ;um ato de protesto sem precedentes contra a arrogância dos EUA;, reforçou o Süddeutsche Zeitung.



Snowden terá o
asilo prorrogado


A Rússia deve anunciar nos próximos dias a prorrogaçção do asilo concedido um ano atrás ao ex-analista de inteligência americano Edward Snowden. A informação, publicada pela agência de notícias Interfax, foi confirmada por Vladimir Volokh, chefe de um conselho consultivo que presta assistência ao serviço federal de imigração. ;Não vejo nenhum problema em prolongar o asilo político temporário;, declarou Volokh. ;As circunstâncias não mudaram. A vida de Snowden ainda está em perigo e, por isso, o serviço federal de imigração tem todas as bases para manter o status;, defendeu. O advogado Anatoly Kucherena, que participa da defesa do americano, confirmou nesta semana que seu cliente havia formalizado um pedido para permanecer na Rússia ; o visto provisório expira em 31 de julho.



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