Incentivo em frente ao hotel

Incentivo em frente ao hotel

Cerca de 600 torcedores estiveram, no fim da tarde de ontem, diante do local onde a Seleção está hospedada a fim de dar força aos jogadores. Segundo os presentes, a derrota na semifinal não é motivo para deixar de torcer

» PALOMA SUERTERGARY » ADRIANA BERNARDES
postado em 12/07/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)


A surra de 7 x 1 para a Alemanha segue no pensamento do torcedor e, como em 1950, promete ficar ali eternamente. Mesmo a decepção, porém, não foi o suficente para que os fãs brasilienses deixassem de receber a Seleção Brasileira com músicas, gritos de incentivo e cartazes com mensagens de apoio. Uma banda de frevo e de marchinhas ditou o ritmo das cerca de 600 pessoas, entre idosos, crianças, jovens, homens e mulheres que se aglomeravam na porta do Brasília Palace Hotel para ver a equipe chegar.

Assim que o ônibus apareceu, a histeria foi generalizada. Os torcedores aplaudiram, gritaram e entoaram o hino ;Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor;. Depois, em coro, repetiram ;Desce, desce, vem, vem;, chamando os jogadores. Deu certo. Apesar ter sido colocada uma cortina na parte da frente do hotel, ; de modo que os atletas desembarcassem sem que ninguém os visse ; a tática da gritaria funcionou. David Luiz foi o mais chamado. E o meia William chegou a acenar para a galera do lado de fora.

;A maneira como perdemos foi desconcertante. A Seleção trabalhou e não deu. Não dá para explicar o que deu errado. Às vezes, é apenas assim;, disse o aposentado Eugênio Eustáquio dos Reis, 68 anos, acompanhado da filha Maisa dos Reis, 23. ;Ninguém esperava o resultado. Fui nadadora e, em esporte, é assim mesmo. Tem dia que dá tudo errado. Não temos que crucificar os torcedores;, completou a estudante.

O público começou a chegar ainda pela manhã. Por volta das 16h, a Polícia Militar estimava em cerca de 80 o número de pessoas a postos à espera dos jogadores. À medida que se aproximava o horário da chegada da Seleção, mais gente aparecia. Uns a pé, outros de carro, de ônibus ou de táxi. A estudante Larissa Rezende, 23, levou as sobrinhas Mariana, 6, e Rafaela, 8. O desejo das meninas é fácil de imaginar. ;A gente queria tirar uma foto com o Neymar e com o David Luiz;, revelou Rafaela. ;Eu gosto no Neymar porque ele faz muitos gols e do David Luiz porque ele parece um anjinho;, completou Mariana. Larissa afirmou que não esperava o resultado vexaminoso contra a Alemanha, mas isso não a impede de continuar torcendo pela Seleção. Perguntada sobre qual mensagem deixaria para os jogadores, Rafaela não titubeou: ;Eu pediria que eles se esforçassem muito;.

Choradeira

A professora Maiza Vieira, 44, marcou presença a tarde toda na porta do hotel da Seleção Brasileira com as três filhas: Raquel, 14; Bárbara, 18; e Gabriela, 17. Na derrota diante dos germânicos, as lágrimas não pararam. ;Nós choramos mais de 90 minutos;, lembra Gabriela. ;Mas não importa o resultado, o que importa é eles manterem a garra e levarem força e alegria para o povo;, analisa. Na família, a paixão pelo esporte não se limita a acompanhar as partidas pela tevê ou no estádio. Sempre que podem, as três irmãs jogam bola. ;Eu já sonhei em ser jogadora. Acho que a Seleção só perdeu daquele jeito porque estava fragilizada e com pouca confiança após a saída do Neymar;, analisa Bárbara.

O segurança Moisés Geovanni, 23 anos, nasceu na Argentina, mas mora no Brasil desde pequeno. Dividido na hora da torcida, ele foi ao hotel alentar os jogadores do time canarinho, mas vestiu a camiseta do país hermano. ;Meu coração é argentino, mas vim apoiar a Seleção Brasileira porque eles deram o melhor no último jogo;, explicou.

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