A festa brasiliense do penta

A festa brasiliense do penta

por Irlam Rocha Lima irlamrocha.df@dabr.com.br
postado em 12/07/2014 00:00


Tudo começou quando, na Base Aérea, a maioria dos pentacampeões decidiu, por sugestão de Edilson e Vampeta, deixar de lado o carro do Corpo de Bombeiros e desfilar pelas ruas de Brasília em cima do trio elétrico comandado por Ivete Sangalo. Era 2 de julho de 2002 ; data comemorativa da independência da Bahia ; e a cidade vivia um dia de sol fortíssimo.

O acesso ao trio era restrito, mas, como anos antes, me tornara amigo de Ivete, pude subir no veículo e compartilhar da celebração ao lado dos craques e, claro, fazer com exclusividade a cobertura do ocorrido ali. O percurso, lembre-se, foi entre a Base Aérea e o Palácio do Planalto, com passagem pelo Eixão Sul, Estação Rodoviária e Esplanada dos Ministérios.

Em matéria publicada no Correio, sob o título A musa e seus fãs, contei para os leitores o que vi e anotei ao longo das três horas do desfile, durante o qual os jogadores e a estrela da axé music foram aclamados pela multidão calculada em 1 milhão de pessoas. Os fãs e torcedores aguardavam a passagem cheios de entusiasmo, sem se importar com o calor abrasante.

Desde o início, por volta das 11h30, pude perceber que cerveja era consumida em larga escala por quase todos aqueles heróis nacionais. Os únicos abstêmios foram Ricardinho, sedento por água, e o evangélico Kaká, que sorvia guaraná fartamente. Ivete cantou várias músicas do seu repertório, no passeio pela capital, mas sobressaiu A festa, grande sucesso à época, repetida quase à exaustão. Ela trocou parte do refrão, transformado para: ;O povo do gueto mandou avisar, que o Brasil é penta;.

Com seu jeito espontâneo de ser, a cantora, vestida com uma minissaia jeans e blusa branca de malha, convidou os campeões para cantar o que quisessem. O descontraído Denilson pegou o microfone e mandou: ;Mamãe eu quero, mamãe eu quero/ Mamãe eu quero mamar;;. O olhar malicioso do atacante denunciava que sua intenção ia além de relembrar a antiga marchinha carnavalesca.

Pagodeiros assumidos, Ronaldinho Gaúcho e Edilson exibiam conhecimento como percussionistas, sob olhares de aprovação de Marcos e Rivaldo. Nenhum deles, no entanto, se dispôs a dar entrevista. De Ronaldo Fenômeno, o máximo ouvido foi um elogio a Ivete. ;Ela é maravilhosa;. A afirmação não constrangeu a então mulher, Milene, bem discreta ao lado de Sônia Nazário, mãe do autor dos dois gols na decisão contra a Alemanha.

O goleador se soltou ainda mais ao ouvir Cabelo raspadinho, hit do Chiclete com Banana feito para ele. Roberto Carlos, Roque Júnior, Vampeta, Luizão e Dida se juntaram a Ronaldo na formação do bloco. Ivete então gritou: ;Solta a franga, Roberto Carlos;. O lateral-esquerdo se derreteu, ao afirmar: ;Eu já era fã de Ivete. A partir de agora;;. A cambalhota de Vampeta, na rampa do Planalto, presenciei a distância, depois de ouvir a declaração emocionada da cantora: ;Essa festa vai marcar minha vida para sempre. É uma história linda que vou contar para meus filhos e netos;.



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