Aeronáutica trabalha com causas diferentes

Aeronáutica trabalha com causas diferentes

postado em 21/08/2014 00:00
 (foto: Paulo Whitaker/Reuters - 14/8/14)
(foto: Paulo Whitaker/Reuters - 14/8/14)

Depois da divulgação da imagem do acidente aéreo em Santos (SP) que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas, levantando mais especulações sobre o caso, a Aeronáutica informou ontem que trabalha com a premissa de que a queda teve diferentes causas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Aeronáutica, disse que ;qualquer análise de fatores isolados pode ocasionar conclusões precipitadas ou equivocadas;. As investigações estão na fase de depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas.

O vídeo foi feito por uma câmera de monitoramento de um stand de vendas de um prédio em construção a poucos metros de local em que a aeronave PR-AFA caiu. Nas imagens, em alta velocidade, o avião já aparece em queda, com o bico para baixo, em direção ao chão. Pouco depois, é possível ver uma explosão e fumaça. Divulgada na noite de terça-feira, é a primeira imagem que aparece do acidente.

Sem fazer referência direta ao vídeo, o Cenipa disse que ;não trabalha com causa de acidente, mas com fatores contribuintes; e que ;não elege um fator como o principal;. O órgão reforçou que não tem prazo para entregar o relatório final. ;O Cenipa já realizou a leitura do gravador de voz da aeronave PR-AFA, a análise inicial dos motores e a coleta de informações e documentos junto das empresas que fizeram a manutenção do avião. Familiares e testemunhas do acidente estão sendo entrevistados.;

No caso do depoimento de parentes, a Aeronáutica pretende descobrir se os dois pilotos do voo, Marcos Martins e Geraldo Magela Barbosa, também mortos no acidente, passavam por problemas pessoais.

Possíveis falhas
As investigações sobre a queda se tornaram mais difíceis depois que a Aeronáutica descobriu que a caixa-preta da aeronave não gravou aúdios durante o voo entre o Rio de Janeiro e Santos. Entre os possíveis problemas técnicos, um deles aponta para os flaps ; estruturas nas asas que aumentam a área de contato da peça com o ar fazendo com que a velocidade da aeronave diminua ; estavam recolhidos.

De acordo com a Aeronáutica, o trem de pouso também estava recolhido. Reportagem publicada na terça-feira pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que a Cessna, fabricante do jato Citation 560 XL, mesmo modelo do acidente, já havia alertado sobre o risco de a aeronave mergulhar abruptamente em subidas e arremetidas com os flaps recolhidos.

O Cenipa quer saber em que momento o procedimento de recolher os flaps e o trem de pouso ocorreu e qual era a velocidade da aeronave. De acordo com o manual do jato, o recolhimento só pode ocorrer em velocidade inferior a 370km/h. O Correio mostrou no último sábado que, embora seja considerado um dos jatos mais seguros do mundo, a aeronave em que voava Eduardo também foi alvo de uma espécie de recall em 2011. O modelo teve que corrigir um erro de projeto que não previa a drenagem da água acumulada em uma parte da cauda do avião.

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