Incentivo ao consumo

Incentivo ao consumo

postado em 21/08/2014 00:00
As novas regras para depósitos compulsórios, recursos que as instituições financeiras são obrigadas a ter como reserva na autoridade monetária, devem injetar no mercado R$ 25 bilhões para estimular a concessão de crédito para o consumo, beneficiando principalmente o setor automotivo. Além disso, a autarquia reduziu os critérios de risco.

Em julho, a autoridade monetária já havia revisto as regras para compulsórios e autorizado a liberação de R$ 45 bilhões ao mercado. Na época, o Banco Central permitiu que 50% dos depósitos a prazo das instituições financeiras fossem utilizados como crédito, uma forma de estimular a economia, injetando mais dinheiro para o consumo. Com as novas regras, o percentual aumentou para 60% e o impacto, antes estimado em R$ 30 bilhões, recebeu um incremento de R$ 10 bilhões.

As instituições financeiras serão estimuladas a conceder financiamento para compra de veículos. As que emprestarem 20% a mais do que a média diária do primeiro semestre terão direito a deduzir esse crédito da cota de 60% de compulsório.

Menos risco
Os outros R$ 15 bilhões que entrarão no mercado são decorrentes do impacto de mudanças nos requerimento de capital das instituições financeiras ; recursos que os bancos devem reservar para lastrear cada tipo de operação. Por considerar que existe menos risco de calote na economia, o Banco Central alterou o ;fator de ponderação de risco; (FPR) para todas as operações de crédito de varejo, independentemente do prazo.

;Em 2010, verificou-se a necessidade de sinalizar critérios de concessão de crédito mais rigorosos. Tivemos operações de longo prazo ponderadas entre 150% e 300%. Nós estamos voltando à situação prévia de 2010, o fator volta a ser 75%;, explicou o chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial, Caio Ferreira. Isso significa que o critério de cálculo de risco foi reduzido, o que exigirá menos capital desembolsado na hora de conceder crédito.

Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Tadeu de Freitas, as medidas são acertadas para o momento econômico, mas não darão certo como antes. ;A decisão foi necessária, a economia está fraca e tem que incentivar a produção. Mas não sabemos se há demanda, devido ao endividamento das famílias e ao menor crescimento da renda;, disse. Questionado sobre a possível procura por crédito, o chefe Departamento de Operações Bancárias do BC, Daso Coimbra, foi categórico. ;Estimamos que há demanda sim. Senão não estaríamos divulgando essas medidas;, disse. (BN)

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