>> entrevista Luiz Moan

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Montadoras aplaudem as medidas

» ROSANA HESSEL » DECO BANCILLON
postado em 21/08/2014 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 19/8/14)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 19/8/14)



Apesar da queda de 17,4% na produção acumulada de janeiro a julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2013, o presidente da Federação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirma categoricamente que o setor não está em recessão e que vai se recuperar neste segundo semestre, crescendo ;dois dígitos; em relação ao primeiro. Ele disse isso um dia antes de o governo anunciar medidas de incentivo ao crédito, algumas específicas para o segmento, que representa 25% da produção industrial do país e foi um dos mais beneficiados com estímulos governamentais.

Na avaliação de Moan, o próximo presidente da República, seja ele quem for, deverá fazer ajustes graduais na economia. ;O Brasil não está preparado para um tratamento de choque;, disse. Para ele, as medidas anunciadas ontem pelo Banco Central, que elevou a liquidez do mercado de crédito, são positivas para o setor, já que vincula a liberação de compulsório ao financiamento de veículos. ;Trazem melhoria significativa no regulamento dos créditos ao aprimorar a segurança jurídica, simplificar as operações de crédito;, afirmou
.


Qual sua avaliação sobre as
medidas anunciadas pelo
Banco Central e pelo
Ministério da Fazenda?

As medidas anunciadas pelo ministro Guido Mantega trazem melhoria significativa no regulamento dos créditos ao aprimorar a segurança jurídica, simplificar as operações de crédito e, em última análise, ao premiar o adimplente, ao contrário do marco regulatório anterior, que beneficia o inadimplente. Com relação ao Banco Central, apoiamos e entendemos que o aumento da liquidez é positivo, pois terá efeitos diretos e indiretos na economia como um todo e, consequentemente, no setor automotivo.

O senhor falou que é a
favor dos estímulos ao
consumo. Mas essa política
não se esgotou?

Acho que não. O sistema de consórcios em julho teve quase 60 mil novos clientes e todo mês entra de 50 mil a 60 mil pessoas no sistema, que neste ano conta com 2,5 milhões. A vontade de adquirir um veículo existe. O que muitas vezes estão procurando são formas diferenciadas de financiamento. O sistema bancário sofreu bastante com índice de inadimplência de 7,5%. E isso justificou a elevação da régua da seletividade para a concessão do crédito. Mas essa inadimplência hoje é menor que 5%. É preciso reduzir essa seletividade.

A indústria automobilística
está em recessão?

A indústria automobilística chegou no fim do primeiro semestre numa situação muito difícil. Não tem recessão. Junho foi o fundo do poço. Daqui para frente, a tendência é de retorno das vendas. Prevíamos um crescimento em torno de 1% no ano. O primeiro semestre fechamos com uma queda de quase 8% e estamos prevendo agora fechar o ano com queda de 5% a 6%. Estamos retomando o crescimento neste semestre, mas ainda vamos vender menos do que o segundo semestre de 2013, contudo o segundo semestre vai ser melhor do que o primeiro. No mês de julho, vendemos 11,8% a mais que em junho. Agosto está indo em uma direção boa. Esperamos fechar o segundo semestre em relação ao primeiro trimestre com crescimento de dois dígitos.

As eleições se aproximam.
Qual deverá ser a prioridade
e o que precisa ser tratado com
mais urgência pelo próximo
governo?

O que pensamos para o próximo governo é que precisamos ter uma simplificação tributária. Hoje o sistema é muito complicado. Um exemplo seria os 27 estados terem a mesma legislação do ICMS. Só depois dessa simplificação, seria feita a redução da carga. Ela pode ser gradual. Entendemos as dificuldades fiscais que o nosso país tem.

Seria uma redução
horizontal? Sem setores
específicos?

Pode ser horizontal ou pode ser específica. Eu não sou contra. O Brasil não é um país que foi construído para ser um grande exportador. Ele foi construído para crescer e se desenvolver com base no seu mercado interno. Aí entramos de novo naquele dilema. Para ter um mercado interno forte, eu tenho que ter consumo. Eu defendo sim estímulos ao consumo específicos. Não tenho nada contra às medidas horizontais. Mas o setor automotivo puxa o setor industrial.

O senhor acha que 2015
vai ser o ano do acerto
de contas de verdade?

Na minha opinião, seja quem for o governo, deve caminhar para administrar os problemas de maneira consistente, mas gradual. A nossa economia não está preparada para um tratamento de choque. É preciso trilhar um caminho consistente, com metas de médio e longo prazo, mas com aplicação gradual. O mesmo com a reforma tributária. Tem que fazer primeiro uma fase de simplificação, depois de modernização e, finalmente, podemos pensar em uma redução.


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