Os EUA no combate ao racismo

Os EUA no combate ao racismo

postado em 21/08/2014 00:00
No ano que vem, os Estados Unidos completarão meio século sem racismo institucional, vigente em leis que antes negavam direitos a cidadãos afrodescendentes. A segregação imperava nos transportes e até em banheiros públicos, além de impedir casamento inter-racial, ainda que a união fosse desejo explícito dos noivos.

A situação minorou com a Lei dos Direitos Civis, promulgada pelo presidente Lyndon Johnson em 1964. Mas ainda foram necessários 44 anos até que um negro chegasse à Casa Branca. Para maior ineditismo, Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2009 e foi reeleito em 2012. Resta saber quando ; ou se ; a cultura do preconceito será página virada no país (e fora dele).

Na terça-feira, manifestações tomavam as ruas de um subúrbio de Saint Louis, a capital do Missouri, em protesto contra a morte de um jovem negro, de 18 anos, por policial branco, enquanto parte da população branca demonstrava apoio ao agente da lei. Não demorou para que, a 6km dali, outro rapaz negro, de 23 anos, também fosse morto a tiros por agentes, apenas 10 dias depois do primeiro episódio.

Indignados, populares indagavam a razão para o recurso a armas de fogo, em vez de a outras, não letais. O chefe de polícia de Saint Louis, Sam Dotson, alegou que o homem morto esta semana seguia na direção dos policiais com faca em punho, desafiando-os. ;Os oficiais temiam pela própria segurança e ambos dispararam;, alegou, acrescentando que tinham ;o direito de voltar para casa à noite;.

Resta esperar mais pragmatismo das autoridades de maior responsabilidade na hierarquia política e social dos EUA. Cabe à Justiça estancar a indignação popular. Para tanto, urge expurgar todo sentimento de corporativismo a fim de apurar e esclarecer por completo os fatos, sem dar margem à impunidade.

Vale lembrar que a Ku Klux Klan, ainda hoje ativa, prosperou na terra de Tio Sam graças à cegueira da Justiça, que fechava os olhos enquanto inocentes eram enforcados, linchados, torturados e queimados vivos, vítimas do ódio racial. Essa época, com o horror explícito impune, passou. Mas não pode vingar em proporção alguma.

A discriminação está longe de ser exclusividade norte-americana. Mas a história do país recomenda combate efetivo ao mal. Até porque há chagas visíveis de natureza duradoura. Uma delas é que o país com a maior população carcerária do mundo tem, entre os condenados à prisão perpétua por crimes não violentos sem direito a recurso, 65% de negros. Isso, apesar de apenas 13% dos estadunidenses serem negros.

Por fim, a discriminação racial tem de ser enfrentada em todos os continentes. Latente ou patente, tem se manifestado com frequência, como se vê, inclusive no esporte, a exemplo do que repetidas vezes ocorreu em estádios de futebol, seja na Europa, seja na América do Sul. A campanha antirracismo por ocasião da Copa do Mundo no Brasil precisa adquirir dimensão planetária e permanente até profunda evolução cultural.

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